24 de Abril de 2008 / às 19:24 / em 9 anos

Madonna fala de filho adotado e situação do Malauí em novo filme

Por Michelle Nichols

NOVA YORK (Reuters) - Um único telefonema levou a popstar norte-americana Madonna a iniciar um trabalho humanitário no Malauí. E, foi enquanto fazia um documentário sobre os milhares de órfãos no país africano, que ela conheceu o bebê que resolveu adotar.

“I Am Because We Are”, que faz sua estréia no Festival de Cinema Tribeca, em Nova York, nesta quinta-feira, foi escrito, produzido e narrado por Madonna e examina a situação das crianças órfãs devida à crise da Aids em um dos países mais pobres do mundo.

O interesse de Madonna pelo Malauí começou há cerca de dois anos, quando ela foi contatada por uma empresária nascida e criada no país e que lhe foi indicada por uma amiga em comum. “Ela disse que era um estado de emergência”, conta Madonna no filme. “Soava exausta e à beira das lágrimas. Perguntei como eu poderia ajudar.”

“Ela falou: ‘Você é uma pessoa de posses. As pessoas prestam atenção ao que você diz e faz.’ Me senti sem jeito. Eu disse a ela que não sabia onde ficava o Malauí. Ela me mandou olhar no mapa e então desligou”, disse Madonna, 49 anos.

Madonna se informou sobre o Malauí, e o resultado foi a criação de uma organização chamada Raising Malawi, voltada a ajudar os órfãos do país, e o documentário de 94 minutos dirigido pelo estreante Nathan Rissman.

“Foi durante as filmagens, enquanto pesquisava os diferentes orfanatos, que ela conheceu David”, contou Rissman em entrevista.

David é o menino malauiano que Madonna e seu marido, o cineasta Guy Ritchie, estão adotando. Ele vive com o casal em Londres há 18 meses, pouco depois de iniciar o processo de adoção.

O governo do Malauí, que foi criticado por dar tratamento preferencial à cantora e atriz, já recomendou que a adoção seja aprovada. Uma audiência sobre o assunto foi marcada para 15 de maio.

“I Am Because We Are” inclui imagens de David sendo cuidado por uma menina soropositiva de 9 anos no orfanato Home of Hope, no Malauí.

No documentário, Madonna fala que a mãe de David morreu ao dar à luz, que três de seus irmãos já morreram e que o paradeiro de seu pai era desconhecido.

Quando retornou ao orfanato, três meses de vê-lo pela primeira vez, Madonna disse que o bebê “sofria de pneumonia, malária e só Deus sabe mais o quê” e que não havia remédios para tratá-lo.

“O que eu estava preparada para fazer?” ela indaga no filme. “Se estava desafiando outras pessoas a abrirem as mentes e os corações, eu mesma tinha que ser a primeira a fazê-lo. Decidi tentar adotá-lo. O resto já virou história.”

O documentário tenta encerrar controvérsias. Críticos acusaram o governo de passar por cima das leis que proíbem pessoas não residentes no país de adotar crianças do Malauí.

O pai de David se apresentou, dizendo que deixara seu filho no orfanato apenas temporariamente. Desde então, porém, ele autorizou a adoção.

Entre os entrevistados em “I Am Because We Are” estão o ex-presidente americano Bill Clinton, o Prêmio Nobel da Paz Desmond Tutu, Paul Farmer, da Escola de Medicina Harvard, e Jeffrey Sachs, diretor do Instituto da Terra e assessor especial da ONU.

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