Pitt e Clooney abrem Veneza com comédia dos irmãos Coen

quarta-feira, 27 de agosto de 2008 21:40 BRT
 

Por Mike Collett-White e Silvia Aloisi

VENEZA (Reuters) - "Burn After Reading" ("Queime Após Ler"), comédia em que Brad Pitt e George Clooney são dois sujeitos metidos no mundo da espionagem internacional, abriu na quarta-feira o Festival de Veneza, que dura 11 dias.

Centenas de fãs gritavam na entrada do cinema principal do festival, na ilha de Lido, para chamar a atenção dos dois galãs. Eles deram autógrafos e brincaram com o público antes de entrarem na sala para a estréia mundial do filme de Joel e Ethan Coen, estrelado por Frances McDormand (mulher de Joel e ganhadora do Oscar em 1996 por "Fargo").

Clooney, que trabalhou para os Coen em "Em Aí, Meu Irmão, Cadê Você?", admitiu que costuma interpretar bobos para a dupla, cujo "Onde os Fracos Não Têm Vez" ganhou quatro Oscar neste ano.

"Fiz três filmes para eles, e eles dizem que é minha trilogia de idiotas", disse Clooney a jornalistas após a projeção.

Ele interpreta um agente federal que, por causa de casos extraconjugais, entra em contato com um professor de academia (Pitt) que tenta extorquir dinheiro de um ex-analista da CIA, cuja autobiografia desapareceu.

"Após ler o papel, que eles disseram ter sido escrito à mão para mim, eu não tinha certeza se ficava lisonjeado ou insultado", disse Pitt.

Joel disse que ele e o irmão têm de fato "um longo histórico em escrever papéis para personagens idiotas".

"Aliás, começo a detectar algo na multidão aqui, uma sensação de que vocês vêem algo de errado em ser um idiota. Só quero lhes alertar a respeito, porque se trata de uma questão delicada e de um grande grupo demográfico."

"Burn After Reading" não está entre os cinco filmes norte-americanos em competição, todos de selos independentes. Ao todo, há 21 obras disputando o Leão de Ouro. O Japão vem com três candidatos.

A 65a. edição do festival italiano é dedicada ao cineasta egípcio Youssef Chahine, morto em julho aos 82 anos, e ao português Manoel de Oliveira, que aos 99 anos lança em Veneza um curta-metragem produzido em São Paulo.