December 9, 2007 / 12:15 PM / 10 years ago

The Police balança o Maracanã 25 anos depois

5 Min, DE LEITURA

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Com um Maracanã semi-lotado de cabelos grisalhos e uma legião de novos fãs, o The Police lavou a alma no seu primeiro show em 25 anos no Brasil. Som impecável, visual impactante e uma lista de clássicos que todos queriam ouvir fizeram a festa das quase 70 mil pessoas que, mesmo sob o risco de uma chuva que não caiu, festejaram com a banda a última parada deste ano na Reunion Tour, turnê global iniciada em maio no Canadá.

A escolha acertada da abertura feita pelo Paralamas do Sucesso, filho da pegada rock-reggae do grupo inglês, esquentou a platéia e arrancou um coro maior do que se veria em seguida com a banda principal. Com a barreira da língua, a inflamada platéia só arriscou soltar a voz em refrões de grandes sucessos como "De do do do de dada da" e "Roxanne".

Falhas na infra-estrutura à parte --apenas poucos pontos no gramado vendiam bebidas, ocasionando filas gigantescas, e uma das portas de saída estava fechada ao final do show --os três senhores do rock uniram gerações por duas horas sem intervalos, mostrando um vigor de meninos desde a pontual abertura, às 21h30, com "Message in a bottle", até o fechamento com "Next to you", que levou a platéia ao delírio.

"Minha mãe que gostava e colocava em casa, acabei curtindo também", contou Mariana Teles, 20 anos, acompanhada de mais cinco meninas ensopadas de suor e sorrisos para o palco.

"Nem se compara ao show de 1982, lá não tinha ninguém e o som era péssimo", disse Antonio Jorge Figueira, 56 anos, que viu o trio no Maracanãzinho, há 25 anos, quando o público não chegou a 5 mil pessoas.

A festa deste ano começou com o baterista Stewart Copeland, destaque da noite, tocando um enorme congo no palco cercado por telões e painéis eletrônicos. O chamado de Copeland trouxe o guitarrista Andy Summers ao palco, que por sua vez deu os primeiros acordes de "Message in a bottle", puxando a estrela Sting para o palco.

Perto de completar 60 anos, Sting mostrou que sua voz está quase igual a de 25 anos atrás, não fosse um estilo mais contido, principalmente nos agudos.

As imagens de alta definição dos telões foram um show à parte, com detalhes como o estado envelhecido do baixo de Sting e a descoberta de um distintivo policial pregado nele, ou ainda as pulseiras de ouro enfileiradas no braço do cantor que a toda hora se destacavam na grande tela.

Depois de uma abertura impactante, o show seguiu morno com músicas como "Synchronicity II", "Walking on the moon", "Voices inside my head", e algumas palavras em português de Sting, fã confesso do Brasil e de onde confessou, em bom português, ter saudades. Fora isso, uma sucessão de "muito obrigado" ao final de cada música mostrava o carinho que o cantor tem pelo país.

Músicas como "Hole in my life" e "Truth hits everybody" chegaram a esfriar a platéia, que ferveu novamente ao som de "Wrapped around your finger" emendada com "De do do do de da da da", obviamente o refrão mais cantado da noite.

Mas o grupo engajado não poderia deixar de fora uma mensagem política, a exemplo do que fez também o U2 na sua turnê. Uma sucessão de fotos de crianças vítimas da fome e da violência tomaram conta das telas gigantes ao som de "Invisible Sun", acompanhadas de celulares ligados na platéia em substituição ao antigo isqueiro.

Levantando o clima com Roxanne, teoricamente a última música da noite, a banda voltou para mais três sucessos coroados com "Every breath you take".

Inconformada, a platéia queria mais e o sessentão Andy Summers não negou fogo. Fez sinais e chamou os parceiros a voltarem ao placo, quando atacaram de "Next to you", para delírio do público, que saiu com toda a certeza de ter assistido ao melhor show do ano e uma das melhores apresentações internacionais que já passou pelo país.

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