23 de Outubro de 2007 / às 02:53 / em 10 anos

Catalães questionam e alimentam polêmica em Feira de Frankfurt

Por Sylvia Westall

FRANKFURT (Reuters) - Os escritores catalães, convidados de honra da Feira do Livro de Frankfurt este ano, dizem que a polêmica em torno da língua em que escrevem é algo que acompanha sua condição de catalães, mas que não deve desviar a atenção das pessoas da literatura que fazem.

Alguns autores que escrevem em espanhol se negaram a comparecer à feira do livro por temer que possam ser usados como joguetes numa discussão política sobre o idioma catalão.

Mas os autores catalães presentes à feira, que dura cinco dias, dizem que estão dispostos a enfrentar um debate sobre as tensões políticas constantes de uma língua que foi proibida durante a ditadura do general Francisco Franco, entre 1939 e 1975.

“O escritor sente que não deve um pedido de desculpas a ninguém pelo fato de integrar uma cultura”, disse o escritor catalão Quim Monzo, que fez um discurso sobre a literatura catalã, sob a forma de um conto humorístico.

A feira de Frankfurt, que recebe cerca de 300 mil visitantes por ano, geralmente escolhe a literatura de um país específico como seu tema anual central, mas este ano optou por focar a região da Catalunha, no nordeste da Espanha.

“É possível que, na Espanha, a discussão tenha desviado a atenção (da literatura)”, comentou o poeta Pere Gimferrer.

“Mas esse é sem dúvida um problema espanhol. É algo que sempre provoca discussão. Esse problema é político, histórico e social e pertence à Espanha e a seu espírito político.”

A indústria de livros da Catalunha representa quase 55% do setor editorial da Espanha, segundo os organizadores da feira, mas a literatura catalã ainda é relativamente desconhecida fora do mundo de idioma espanhol e catalão.

“A feira vai possibilitar à língua catalã uma plataforma de lançamento para tornar-se uma língua européia reconhecida”, disse o presidente da Catalunha, José Montilla, em seu discurso inaugural, criticando “as pessoas que criam disputas artificiais” com a língua espanhola.

“Nossa participação em Frankfurt não é um imperativo de um governo, mas de um país”, disse ele.

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