Exposição de Balthus reacende debate sobre obras estilo Lolita

sexta-feira, 15 de agosto de 2008 11:36 BRT
 

Por Stephanie Nebehay

MARTIGNY, Suíça (Reuters) - Uma grande exposição da obra do artista francês Balthus, incluindo seus retratos de meninas adolescentes em estilo Lolita, reacendeu a discussão sobre o legado do homem que declarou que a obsessão sexual "está nos olhos de quem a vê".

Balthus -- seu nome completo era conde Balthasar Klossowski de Rola -- foi visto como um dos maiores realistas do século 20, seguindo a tradição do grande mestre Nicolas Poussin.

Mas suas pinturas eróticas de meninas nuas ou em posições sugestivas provocaram críticas, alimentadas ainda mais pela ambiguidade proposital que ele manteve durante a maior parte de sua vida.

Em réplica oficial que saiu em um livro de 1996, Balthus disse: "Devo reiterar que o suposto tema da adolescente lânguida ... não tem relação alguma com obsessão sexual, exceto, talvez, nos olhos de quem a vê".

"Eu pinto anjos. Todas minhas figuras femininas são anjos, aparições. As pessoas pensam que é erotismo, o que é um absurdo. Minhas pinturas são essencialmente e profundamente religiosas", disse ele a um crítico.

Nascido em Paris, mas de ascendência polonesa, Balthus morreu em fevereiro de 2001, pouco antes de completar 93 anos, em seu castelo do século 18 no vilarejo suíço de Rossinière, perto do elegante resort de Gstaad.

Sua viúva, a artista japonesa Setsuko, e a filha deles, Harumi, cederam obras pessoais para uma grande exposição. Seus filhos Stanislas e Thadee, de seu primeiro casamento, com a aristocrata suíça Antoinette de Watteville, também colaboraram.

O Tate Museum, o Centre Pompidou, o Metropolitan Museum of Art de New York e o Museum of Modern Art (Moma), além de colecionadores particulares suíços, também enviaram obras para a Fundação Pierre Gianadda, cuja retrospectiva do centenário de Balthus, com 150 telas e desenhos do artista, ficará aberta até 23 de novembro.   Continuação...