27 de Março de 2008 / às 12:59 / em 9 anos

Chico e Caetano lembram momentos com Jorge Amado em festa em SP

<p>Caetano Veloso l&ecirc; trecho de 'Mar Morto' em evento para o lan&ccedil;amento da reedi&ccedil;&atilde;o de toda a obra de Jorge Amado, na noite de ter&ccedil;a-feira, em S&atilde;o Paulo. Photo by Paulo Whitaker</p>

Por Fernanda Ezabella

SÃO PAULO (Reuters) - Dona Flor, Vadinho e Quincas Berro D’Água foram as estrelas da noite de lançamento da reedição da obra completa de Jorge Amado, na terça-feira em São Paulo, ao lado de Caetano Veloso e Chico Buarque, que relembraram momentos curiosos partilhados com o escritor baiano.

Apesar da expectativa do público de cerca de mil pessoas, munidas de insistentes flashes fotográficos, os dois não cantaram juntos, como aconteceu pela última vez em 1986, no programa que ambos dividiam na TV Globo.

Chico leu por cerca de 10 minutos um trecho final de “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, e Caetano encerrou o evento cantando “Milagres do Povo” e “É Doce Morrer no Mar”, além de ler um trecho de “Mar Morto”.

O evento, organizado pelo Sesc Pinheiros e a editora Companhia das Letras, comemorou o relançamento dos 32 livros do autor previsto até 2012, ano do centenário de seu nascimento.

A noite também contou com as participações do escritor moçambicano Mia Couto, que falou da importância de Jorge Amado para os escritores africanos, e Miltom Hatoum, que leu “A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água”.

Chico Buarque, de jeans e camisa branca de manga comprida, contou, antes de sua leitura, como conheceu Jorge Amado, a quem chamou que “queridíssimo”. “Fiz um esforço para lembrar (como o conheci), me parece daquelas pessoas que a gente já conhece desde sempre”, disse.

Em meados dos anos 1960, após um show na Bahia e antes do embarque para o avião de volta ao Rio, Chico recebeu a visita inesperada do escritor. Pensando que estava ali para conhecê-lo, acabou decepcionado com um pedido de última hora.

“Quando estou para embarcar, alguém me chama, ‘Chico Buarque?'; eu olhei para trás e era o Jorge Amado. Eu falei ‘Jorge Amado!', quase falei ‘não precisava...', e ele: ‘vai para o Rio? Então carrega para mim esse embrulho que tem alguém esperando no aeroporto”', disse, seguido de muitos aplausos e risos do público. Chico contou que mais tarde os dois se frequentaram muito no Rio de Janeiro e em Paris, onde ambos moraram, e Chico chegou a trazer da Europa os originais do livro e memórias “Navegação de Cabotagem”, para publicação no Brasil no começo dos anos 1990.

O músico, que também é autor de livros como “Budapeste”, compôs a canção-tema “O Que Será” do filme “Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1976), dirigido por Bruno Barreto.

CANDOMBLÉ

Caetano Veloso, também de jeans, trocou a mesa que os convidados usaram nas leituras por um banquinho e violão.

Começou logo pela canção “É Doce Morrer no Mar”, de autoria do próprio Amado e de Dorival Caymmi, e depois seguiu com “Milagres do Povo”, composição própria para uma minissérie baseada em romance do escritor.

O músico, também baiano, contou que participou com uma pergunta de uma entrevista do jornal Pasquim com Jorge Amado. Caetano questionou sobre a verdadeira ligação do escritor com o candomblé.

E ele respondeu, de acordo com Caetano: “Não sei se feliz ou infelizmente, eu não acredito em nada. Diferentemente de Caymmi, eu não tenho absolutamente nenhuma religiosidade. Mas.. eu vi muitos milagres no candomblé.”

A viúva Zélia Gattai, 91 anos, gravou um vídeo para a festa, no qual também compartilhou uma história ao lado de Jorge Amado, que morreu em 2001 aos 88 anos. A escritora contou como os personagens de Amado acabavam virando membros da família, como no caso de Dona Flor.

A filha dos dois, Paloma Amado, também aproveitou para ler o final do livro “Capitão de Longo Curso”, que classificou como seu favorito por falar sobre sonhos.

“Meu pai me ensinou (...) que o sonhar é o bem mais precioso que o homem tem, que ninguém pode tomar, acabar com ele. Na pior das condições o homem ainda pode sonhar. E estar aqui hoje é conseguir chegar aqui à realidade do sonho,” disse.

“Sonhamos sempre que a obra de papai tivesse o cuidado e o esmero que ela merecia.”

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