27 de Março de 2008 / às 15:20 / 9 anos atrás

China critica cobertura ocidental sobre distúrbios no Tibet

Por Lindsay Beck

PEQUIM (Reuters) - Reforçando as críticas à forma como os meios de comunicação ocidentais vêm divulgando as notícias sobre o Tibet, a China afirmou na quinta-feira que as reportagens sobre os distúrbios naquela região representavam um "manual de maus exemplos".

Qin Gang, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, fez esses comentários ao responder a uma pergunta sobre se o governo chinês era o responsável pelo site www.anti-cnn.com, que se dedica a denunciar o que considera serem as inverdades nos relatos sobre o Tibet.

"O governo chinês precisa realmente incitar esse tipo de coisa?", afirmou Qin, em uma entrevista coletiva. "Um site desse tipo existe porque as pessoas estão muito indignadas com essas reportagens mentirosas."

As declarações do porta-voz surgem no momento em que a chancelaria chinesa leva um pequeno grupo de jornalistas a Lhasa, para uma visita vigiada, na primeira vez em que permite o ingresso de estrangeiros na região desde os distúrbios de 14 de março.

Os conflitos de rua aconteceram após alguns dias de manifestações pacíficas lideradas por monges budistas e voltadas contra as políticas chinesas nessa região afastada. Segundo a China, esses atos foram instigados pelo Dalai Lama, que mora no exílio desde o levante malsucedido de 1959 contra o domínio chinês.

Turistas, que precisam de vistos especiais para viajar até a região budista, foram aconselhados a sair dali e jornalistas costumam não ter acesso ao Tibet sem a supervisão do governo.

Um grande número de policiais armados manteve os repórteres longe também das regiões do oeste da China, dominadas pela etnia tibetana, nas quais vêm ocorrendo protestos. Depois dos conflitos, vários sites que divulgavam notícias sobre essas regiões foram bloqueados.

Segundo Qin, os meios de comunicação Ocidentais, quando noticiaram os conflitos no Tibet, violaram a étnica jornalística e exibiram um "manual de maus exemplos." "Isso mostra aos chineses o que significam as chamadas justiça e objetividade pretendidas por alguns meios de comunicação ocidentais."

"Isso pode ser algo positivo se pudermos aprender com isso", acrescentou.

O site anti-CNN chama a rede de TV norte-americana de "O Líder Mundial dos Mentirosos" e diz travar uma luta para "resistir às vozes e à hegemonia ocidentais".

Os Jogos Olímpicos, que ocorrem em Pequim a partir do dia 8 de agosto, também se transformaram em um veículo para lançar críticas contra as políticas chinesas no Tibet, região que os militares da China ocuparam em 1950.

A Associação dos Jornalistas da China também divulgou uma declaração, publicada no People's Daily, a voz do Partido Comunista chinês, afirmando que a cobertura da mídia ocidental sobre os conflitos no Tibet "vai contra os princípios da exatidão e da objetividade".

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