15 de Abril de 2008 / às 14:21 / 9 anos atrás

Roqueiros da terceira idade dão novo sentido a canções famosas

Por Christine Kearney

NOVA YORK (Reuters) - A imagem improvável de uma mulher de 92 anos cantando aos berros "Should I Stay or Should I Go", do The Clash, já cativou platéias em todo o mundo. Agora, a versão cinematográfica do espetáculo se prepara para fazer o mesmo.

"Young at Heart" documenta um grupo de cidadãos norte-americanos de terceira idade cantando músicas do Sonic Youth, James Brown e outros artistas.

O espetáculo nasceu numa cidade do interior e está em cartaz há 25 anos, mas agora se prepara para a fama internacional.

"Criou-se um monstro", brincou o cineasta britânico Stephen Walker em entrevista sobre o sucesso do filme.

O filme começou como documentário da TV britânica em 2006 e tornou-se favorito do público dos festivais de cinema de Los Angeles e Sundance em 2007 e 2008.

A sequência inicial mostrando Eileen Hall, 92 anos na época, cantando o sucesso de 1982 do grupo de punk rock The Clash foi o que inspirou Walker ao ir no show do grupo em Londres, em 2005.

"Fiquei fascinado", contou Walker. "Foi uma maneira espantosa de enxergar a canção sob novo prisma. Ela passa a ser sobre amor e morte, e não sobre relacionamentos."

O diretor então passou vários meses filmando o grupo em Northampton, Massachusetts -- com 30 mil habitantes --, enquanto seus membros se esforçavam para aprender letras que iam desde "Schizophrenia", do Sonic Youth, até "Yes We Can Can", de Allen Toussaint.

O filme estréia nos EUA esta semana e dentro em pouco na França, Bélgica, Suíça, Alemanha, Japão e Austrália.

CONTRA OBSESSÃO DA JUVENTUDE

Além de dar novo sentido às letras de sucessos, o filme é cômico e comovente ao tratar da amizade, velhice e morte.

Para Walker, o filme atende aos desejos de uma sociedade "que está farta da cultura obcecada pela juventude e a celebridade".

"As pessoas estão sentindo algo extraordinário", disse Walker, referindo-se ao fato de o filme ser ovacionado em pé em sessões de pré-estréia nos EUA.

Bob Cilman, diretor musical do grupo há 25 anos, disse que a popularidade do filme mostra que o público quer ver mais idosos no palco e no cinema.

"Quer seja Austrália, França ou EUA, todo o mundo é obcecado pela juventude, e nós vamos contra isso", disse Cilman, 54 anos.

"As pessoas aplaudem porque a cultura da juventude não é o que as pessoas querem, mas o que lhes é imposto."

Stan Goldman, 78 anos, visto no filme cantando "I Feel Good", de James Brown, em dueto, disse à Reuters que o grupo não quer ganhar status de astros do rock.

Pat Linderme, 77 anos, disse que o objetivo é simples: cantar e ser feliz. "A gente se envolve tanto no cantar que esquece o sofrimento", explicou.

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