Antonio Banderas atribui prêmio Donostia a seu espírito arrojado

sexta-feira, 19 de setembro de 2008 17:58 BRT
 

Por Raquel Castillo

SAN SEBASTIÁN, Espanha (Reuters) - Cansado mas radiante depois de dois dias de maratona no Festival de Cinema de San Sebastián, Antonio Banderas diz acreditar que disposição em assumir riscos foi o que o levou a receber o Prêmio Donostia na 56a edição do festival.

"Em minha carreira, de modo geral, tenho sido uma pessoa que aceita correr riscos. Acho que talvez seja por isso que estão me dando o prêmio esta noite", disse o ator espanhol na sexta-feira, em coletiva de imprensa em San Sebastián.

Banderas, que assume um compromisso depois de outro, sem parar, chegou à cidade na quinta-feira para apresentar "The Other Man", de Richard Eyre, no qual contracena com Liam Neeson e Laura Linney e que inaugurou o festival, apesar de não concorrer à Concha de Ouro por ser apresentado fora da competição.

Poucas horas antes de receber de Pedro Almodóvar o prêmio Donostia por sua trajetória no cinema, que começou em 1982 com "Labirinto de Paixões", do próprio Almodóvar, Banderas agradeceu ao festival ao qual assistiu pela primeira vez há 26 anos, "chegando de carona com apenas 350 pesetas nos bolsos".

O ator é um dos pioneiros entre os atores espanhóis em Hollywood, onde chegou sem falar inglês, mas conseguiu uma carreira sólida trabalhando com diretores como Jonathan Demme ("Filadélfia", 1993), Neil Jordan ("Entrevista com o Vampiro", 1994) ou Alan Parker ("Evita", 1996), além de fazer grande sucesso na Broadway.

"Talvez eu tenha contribuído com um grão de areia para derrubar muros que pareciam impossíveis de derrubar e ajudar a derrubar esse complexo de inferioridade que nós, espanhóis, arrastávamos havia anos", disse ele.

Casado com a atriz de Hollywood Melanie Griffith, com quem tem uma filha, Banderas retorna sempre que possível a sua Málaga natal, onde nasceu em 1960, e disse que continua envolvido em inúmeros projetos que vão desde a direção de cinema, na qual afirma ainda estar engatinhando, até o teatro e a animação.

Já tendo dirigido dois filmes -- "Loucos no Alabama" (1999) e "O Caminho dos Ingleses" (2006), ele fala com entusiasmo de seu novo projeto como diretor. Trata-se de um roteiro que ele está escrevendo com Antonio Soler sobre a história de Boabdil, o último rei de Granada, e que ele pretende filmar em árabe.

"Vai ser um filme complexo e caro", disse ele, acrescentando que o projeto pretende refletir sobre o que qualificou como um problema atual.

"Dois mundos que se enfrentam, o cristão e o muçulmano, mas com o conhecimento que 500 anos de história nos conferem."

 
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