December 5, 2007 / 12:22 PM / 10 years ago

Escritores acusam líderes da Europa e África de covardia

4 Min, DE LEITURA

Por Paul Simao

JOHANESBURGO (Reuters) - Um grupo de importantes escritores, inclusive os Prêmios Nobel Gunter Grass, Woyle Soyinka e Nadine Gordimer, acusaram na terça-feira líderes europeus e africanos de covardia política por não destacaram os problemas do Zimbábue e de Darfur na sua cúpula do próximo fim de semana em Lisboa.

O anfitrião Portugal disse que os escritores estão "mal informados".

Esta é a primeira cúpula entre União Européia e União Africana desde 2000. Ela está sendo marcada pela polêmica sobre convidar ou não o presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, tratado como pária na comunidade internacional.

Alguns ativistas também criticaram a participação dos líderes do Sudão, cujo governo é suspeito de financiar milícias árabes acusadas de atrocidades na província de Darfur.

"Não foi reservado um tempo para uma discussão formal ou informal (das questões de Darfur e Zimbábue). Que podemos dizer desta covardia política?", disseram os 17 autores africanos e europeus em uma carta aberta a seus líderes.

O ex-presidente checo Vaclav Havel, que é dramaturgo, é um dos signatários da carta, junto com o alemão Grass, a sul-africana Gordimer e o nigeriano Soyinka.

João Cravinho, secretário de Estado português para assuntos internacionais, disse que os escritores desconhecem os objetivos da cúpula, com a qual a UE espera estabelecer uma parceria estratégica com a África.

"Eles estão mal informados sobre a realidade desta cúpula e de seus objetivos", disse Cravinho a jornalistas em Lisboa. "Tenho grande consideração por seu trabalho e pelo que eles representam, mas acho que eles não passaram muito tempo a analisar os objetivos da cúpula."

A carta foi divulgada pela ONG Crisis Action e deve ser publicada em vários jornais dos dois continentes.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, já decidiu boicotar o evento para não ter de dividir o cenário com o veterano líder do Zimbábue. O premiê checo, Mirek Topolanek, também deve se ausentar.

Mas a União Africana, que tem 53 países, exigiu que Mugabe fosse convidado, e a maioria dos governos da UE aceitou.

Alemanha e Portugal, que preside a UE neste semestre, estão entre os que disseram que o impasse não deveria perturbar a realização do encontro.

Mugabe, que neste ano provocou reação internacional devido à prisão e agressão de dezenas de adversários políticos, tornou-se persona non grata em grande parte da Europa depois de vencer uma eleição, em 2002, em que observadores internacionais apontaram fraudes generalizadas. Mugabe é proibido de entrar em alguns países europeus.

Colaborou Ruben Bicho em Lisboa

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