17 de Abril de 2008 / às 01:14 / em 9 anos

Novo livro salva Rushdie de "desastre" em sua vida particular

<p>O escritor brit&acirc;nico Salman Rushdie durante entrevista concedida &agrave; Reuters em Londres. Rushdie diz que o fato de escrever um novo romance o salvou do 'desastre' de seu div&oacute;rcio de sua quarta mulher, Padma Lakshmi, no ano passado. Photo by Dylan Martinez</p>

Por Mike Collett-White

LONDRES (Reuters) - O escritor britânico Salman Rushdie diz que o fato de escrever um novo romance o salvou do “desastre” de seu divórcio de sua quarta mulher, Padma Lakshmi, no ano passado.

“The Enchantress of Florence”, seu décimo romance, é uma história que se passa nos séculos 15 e 16, sobre intrigas de cortes na Florença e em Fatehpur Sikri, capital do império mogol. A nova obra marca o retorno ao realismo mágico que é a marca registrada de Rushdie.

“Foi um bom lugar para ir quando minha vida privada estava destruída, e acho que foi um refúgio, de certo modo”, disse Rushdie à Reuters em entrevista.

“No final, acho que o que me fez conseguir superar tudo foi a longa familiaridade da disciplina necessária para se escrever um romance.”

Rushdie é conhecido sobretudo por “Os Versos Satânicos”, de 1988, que provocou a ira de muçulmanos e o obrigou a viver na clandestinidade, depois de o então líder religioso supremo do Irã lançar um edito condenando-o à morte.

Ele anunciou seu divórcio de Lakshmi em 2007, pondo fim a um casamento que durara três anos.

“Descobri que o hábito de toda uma vida de ir à minha mesa, passar o dia trabalhando e não me permitir divagar foi o que me ajudou a recuperar.”

“Passei algum tempo fora dos trilhos. Fiquei mal, e escrever me trouxe de volta.”

O conto de duas cidades criado por Rushdie gira em torno de personagens verídicos, como o grande imperador mogol Akbar e o filósofo italiano Nicolau Maquiavel, além da misteriosa beldade Qara Koz, que encanta os homens que a vêem.

Publicado pela Random House, o livro dividiu a crítica. O The Guardian o considerou “magnífico”, enquanto o Sunday Times disse que é “a pior coisa que Rushdie já escreveu”.

A intenção original do autor de 60 anos era ambientar a história inteiramente na Europa, mas ele acabou por dividir a narrativa entre duas grandes civilizações que mal sabiam da existência uma da outra.

“Acabei escrevendo um livro que eu não pensara em escrever”, disse Rushdie. “Eu pensara em escrever um livro sobre as diferenças, mas me descobri escrevendo um sobre as semelhanças.”

PARALELOS ATUAIS

Rushdie diz que os paralelos com os dias de hoje são claros: os humanos são iguais em toda parte, mas frequentemente não o percebem e por isso acabam falando do choque de culturas e religiões.

“Mesmo hoje, olhando para como todos estamos nos comportando, percebe-se que não somos tão diferentes assim. O problema é que nos vemos como o outro do outro, quando, na realidade, somos a imagem espelhada do outro.”

Em “Enchantress”, Akbar exemplifica a tolerância religiosa e social e é defensor da liberdade de pensamento e expressão, uma postura criticada por muitos na época.

Mas, apesar do exemplo de Akbar e da crença de Rushdie na idéia de que a natureza humana é universal, o autor é pessimista em relação ao futuro.

“Seria difícil ser otimista”, disse ele.

“Há uma ruptura profunda em nossa capacidade de descrever o mundo do mesmo modo. Quando isso acontece, torna-se muito difícil concordar em relação a qualquer outra coisa.”

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