ESPECIAL-Cinema latino brilha, mas ainda enfrenta dificuldades

terça-feira, 17 de junho de 2008 13:11 BRT
 

Por Lucila Sigal

BUENOS AIRES (Reuters) - O cinema latino-americano passa por um período de expansão que se reflete no aumento da produção, na busca por novas temáticas e estéticas e na presença marcante em festivais internacionais.

Com mais de 20 filmes participando na última edição do Festival de Cannes, quatro dos quais na competição pela Palma de Ouro, o cinema latino-americano ocupou lugar privilegiado e demonstrou sua condição universal.

Entretanto, apesar das críticas positivas e do reconhecimento no exterior, a maioria dos diretores encontra dificuldade em distribuir seus filmes comercialmente em seus próprios países e no resto da região.

O panorama se repete em quase toda a América Latina. O cinema norte-americano cobre cerca de 80 por cento da oferta. E essa porcentagem pode ser ainda maior em países que não têm produção cinematográfica própria.

"A questão da hegemonia dos Estados Unidos revela a gravidade da situação e é o ponto de partida. Precisamos ver como recuperar os espaços perdidos", disse Eva Piwowarski, secretária técnica da Reunião Especializada de Autoridades Cinematográficas e Audiovisuais do Mercosul (Recam).

"Há demonstrações de alta qualidade na região, e é preciso defender as leis de promoção do cinema. Ainda nos faltam políticas e medidas concretas para que a realidade dos festivais se transfira para a realidade dos mercados."

Em alguns países latino-americanos, o Estado exerce um papel chave, graças à concessão de subsídios na realização de novas produções. Na ausência de uma indústria sólida, muitos cineastas também recorrem às contribuições de entidades privadas, sobretudo européias.

Uma das principais conquistas do cinema latino-americano foi o Ibermedia, um acordo entre os países da região, mais Espanha e Portugal, para um fundo destinado a produções.   Continuação...