Filarmônica de NY tenta diplomacia musical na Coréia do Norte

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008 14:50 BRT
 

Por Jon Herskovitz

PYONGYANG (Reuters) - A Orquestra Filarmônica de Nova York chegou a Pyongyang em meio à neve, na segunda-feira, para tocar a "Sinfonia do Novo Mundo", numa tentativa de descongelar os laços entre os EUA e a Coréia do Norte.

A visita inusitada da orquestra ocorre enquanto crescem as pressões internacionais sobre o Estado comunista para que cumpra seu lado de um acordo que o levará a desfazer-se de seu programa de armas nucleares.

A mais antiga orquestra americana passará 48 horas na Coréia do Norte, numa visita que culminará na terça-feira num concerto cujo programa vai incluir a "Sinfonia do Novo Mundo", de Antonin Dvorak, e "Um Americano em Paris", de George Gershwin.

"Sou músico, não político, mas a música sempre foi uma arena em que as pessoas conseguem fazer contato. Ela é neutra, é emocional", disse o diretor musical da orquestra, Lorin Maazel, a jornalistas no aeroporto.

Não se informou se o enigmático líder norte-coreano Kim Jong-il vai assistir ao concerto, mas analistas disseram que a máquina de propaganda política do país quase certamente vai retratar a visita da orquestra como homenagem dos EUA a um homem a quem Washington acusa de patrocinar o terrorismo. Os dois países não têm relações diplomáticas e estão tecnicamente em guerra desde a Guerra da Coréia (1950-1953).

A Filarmônica chegou a Pyongyang num avião fretado sul-coreano, vinda de Pequim, e foi recebida pelo vice-ministro da Cultura norte-coreano.

Num comboio de ônibus, os músicos percorreram vários quilômetros em estradas desertas pelas quais passavam mais carros de boi que veículos automotivos.

À noite, as ruas de Pyongyang -- normalmente escuras por causa da escassez de energia -- foram iluminadas para a passagem do comboio que transportou cerca de 350 pessoas da orquestra, seus assessores e a imprensa que cobre o evento.   Continuação...