8 de Março de 2008 / às 00:19 / 10 anos atrás

Regente em Los Angeles recupera música perdida no Holocausto

Por Arthur Spiegelman

LOS ANGELES (Reuters) - Os nazistas destruíram suas vidas, esmagaram suas almas e queimaram sua música.

Hoje, mais de 60 anos após o fim da 2a Guerra Mundial, um regente norte-americano quer restaurar a música perdida do Holocausto, e seus compositores, antes que a história se esqueça deles.

James Conlon, maestro da Ópera de Los Angeles, lançou no ano passado um programa intitulado “Vozes Recuperadas”, visando apresentar ao púbico obras de uma geração perdida de compositores.

Algumas pessoas questionaram a necessidade do programa de 5 milhões de dólares, mas agora a cidade inteira parece estar aplaudindo. Duas óperas de um ato, “O Anão” (Der Zwerg) e “O Jarro Quebrado” (Der Zerbrochene Krug) estrearam em fevereiro e foram aclamados pela crítica. O silêncio inicial do público virou uma prolongada ovação em pé.

Mas os aplausos chegaram tarde para os compositores, Alexander Zemlinsky, que morreu no exílio em Nova York, falido e esquecido, e Viktor Ullmann, morto na câmara de gás em Auschwitz.

Em entrevista à Reuters, Conlon, 57, disse que uma pergunta feita sobre o projeto foi: “Por que ele estava se dando ao trabalho de recuperar essas obras?”

Segundo ele, é porque a música era de tão alta qualidade que merecia ser ouvida, novamente, na opinião de Conlon, ou porque era hora de o mundo musical reconhecer os compositores, em sua maioria judeus austríacos e alemães, silenciados pelos nazistas.

“O Anão” é a história de um anão feio, mas de alma nobre dado de presente de aniversário a uma princesa espanhola, que o vê como seu brinquedo.

Cruel, ela o obriga a olhar no espelho pela primeira vez. Horrorizado ao ver seu reflexo, o anão morre. A princesa lamenta momentaneamente a perda de seu “brinquedo”, mas então retorna ao baile de seu aniversário.

“Vejo ‘O Anão’ como uma das grandes óperas do século 20, e Zemlinsky como um dos grandes compositores do século”, disse Conlon, 57 anos.

Membro importante do círculo do compositor Gustav Mahler, Zemlinsky teria composto a ópera de 1921 devido a sua própria estatura baixa e aparência feia.

Já a peça de Ullman é uma sátira ligeira criada pelo compositor tcheco dois anos antes de ser enviado ao campo de concentração de Terezin, conhecido como “showroom” porque os nazistas o usavam para mostrar ao mundo que os judeus estavam sendo bem tratados. Mais tarde, foi enviado a Auschwitz.

Paradoxalmente, observou Conlon, as 20 obras compostas por Ullman nos campos de concentração foram salvas, enquanto muitas de suas composições anteriores à guerra se perderam.

De acordo com o maestro, os nazistas destruíram tantas vozes “que não restou ninguém na Alemanha que conhecesse a obra deles”.

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