Regente em Los Angeles recupera música perdida no Holocausto

sexta-feira, 7 de março de 2008 16:07 BRT
 

Por Arthur Spiegelman

LOS ANGELES (Reuters) - Os nazistas destruíram suas vidas, esmagaram suas almas e queimaram sua música.

Hoje, mais de 60 anos após o fim da 2a Guerra Mundial, um regente norte-americano quer restaurar a música perdida do Holocausto, e seus compositores, antes que a história se esqueça deles.

James Conlon, maestro da Ópera de Los Angeles, lançou no ano passado um programa intitulado "Vozes Recuperadas", visando apresentar ao púbico obras de uma geração perdida de compositores.

Algumas pessoas questionaram a necessidade do programa de 5 milhões de dólares, mas agora a cidade inteira parece estar aplaudindo. Duas óperas de um ato, "O Anão" (Der Zwerg) e "O Jarro Quebrado" (Der Zerbrochene Krug) estrearam em fevereiro e foram aclamados pela crítica. O silêncio inicial do público virou uma prolongada ovação em pé.

Mas os aplausos chegaram tarde para os compositores, Alexander Zemlinsky, que morreu no exílio em Nova York, falido e esquecido, e Viktor Ullmann, morto na câmara de gás em Auschwitz.

Em entrevista à Reuters, Conlon, 57, disse que uma pergunta feita sobre o projeto foi: "Por que ele estava se dando ao trabalho de recuperar essas obras?"

Segundo ele, é porque a música era de tão alta qualidade que merecia ser ouvida, novamente, na opinião de Conlon, ou porque era hora de o mundo musical reconhecer os compositores, em sua maioria judeus austríacos e alemães, silenciados pelos nazistas.

"O Anão" é a história de um anão feio, mas de alma nobre dado de presente de aniversário a uma princesa espanhola, que o vê como seu brinquedo.   Continuação...