3 de Fevereiro de 2008 / às 10:59 / 10 anos atrás

Beija-Flor, campeã de 2007, viaja ao Amapá atrás de ave rara

Por Fernanda Ezabella

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O carnavalesco Alexandre Louzada, que disputa o tricampeonato neste ano, levará a escola de samba Beija-Flor para uma "viagem fantástica" do bairro carioca de Nilópolis às selvas do Amapá, habitat de uma das aves mais raras do mundo, o beija-flor-brilho-de-fogo.

O espírito incandescente surge logo no primeiro carro. Foram 300 mil elementos, incluindo 150 mil reais em folhas de acetato, usados para compor principalmente as penas em vermelho e amarelo das dezenas de beija-flores instalados no carro.

"É para parecer que está em brasa", disse Alexandre à Reuters, no barracão da escola, explicando que o grande beija-flor central do carro bate asas e faz um "vôo" de 360 graus.

O abre-alas, composto de dois carros acoplados, é o "xodó da escola", primeiro a começar a ser feito e o último a terminar. Mais de 100 pessoas vão desfilar em cima.

Louzada, que ganhou em 2006 com a Vila Isabel e em 2007 com a Beija-Flor, disse que o tema-homenagem a Macapá veio por acaso, após uma palestra no Rio sobre Carnaval, assistida pelos secretários de Turismo e Cultura do Amapá.

Convidado a dar a mesma palestra em Macapá, Alexandre recebeu antes de viajar um vasto material sobre a cultura da região. Ao saber do raro beija-flor, convenceu-se da boa história que tinha nas mãos.

Outra coincidência, como ele próprio chama, é o fato de a cidade completar 250 anos bem no dia em que a escola entra na avenida --4 de fevereiro. O Estado investiu 1 milhão de reais no Carnaval de 7 milhões de reais da Beija-Flor, e Alexandre fez cerca de oito viagens até lá.

A escola também irá falar sobre as civilizações antigas que habitaram a região, com um carro que traz representações de cerâmicas, e até mesmo da cultura mourisca, em uma alegoria com camelos.

Alexandre explicou que há 250 anos, Portugal ordenou que toda uma cidade no norte da África, tomada pelos portugueses mas prestes a ser retomada pelos mouros, fosse transferida para as selvas do Brasil, no Amapá, trazendo assim a cultura de portugueses e seus escravos de origem islâmica.

Também como parte dessas "viagens fantásticas ao meio do mundo" está um carro formado por um navio que balança, inspirado no filme "Piratas do Caribe", segundo Alexandre.

A alegoria traz diversos olhos e bocas abertas um tanto ameaçadores, para representar a "pirataria toda que rolou nessa época, de usurpação das riquezas", disse.

Todo o contexto histórico usado para construir os nove carros alegóricos, no entanto, acaba se escondendo no meio de tantas plumas e paetês. É por isso que Alexandre defende uma "cartilha popular para o grande público".

"Acho que tudo isso (pesquisas das escolas) deveria ser de amplo conhecimento porque é uma aula realmente de história", disse. "Todo ano cada escola conta uma coisa muito interessantes a respeito da historia mundial, não só do Brasil."

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