March 26, 2008 / 12:06 AM / 9 years ago

Alemanha cria super-herói contra a Al Qaeda

4 Min, DE LEITURA

Por Mark Trevelyan

LONDRES (Reuters) - Enquanto as autoridades européias buscam novas formas de combater o radicalismo islâmico, a xenofobia e o racismo, uma agência de segurança alemã pensou em uma idéia original: histórias em quadrinhos.

O adolescente Andi surgiu em 2004 no Estado alemão Renânia do Norte-Vestfália, com a missão de combater o extremismo de direita. Em outubro, ele apareceu em uma nova aventura, ao lado de sua namorada muçulmana, Ayshe, e do irmão dela, Murat, que cai na conversa de um amigo radical e de um "pregador do ódio".

Os 100 mil exemplares da história, distribuída em todas as escolas secundárias do mais populoso Estado alemão, pretendem mostrar aos jovens a diferença entre o Islã tradicional e pacífico e a versão intolerante e violenta difundida por militantes.

"Sempre tivemos o cuidado de não ferir sentimentos e irritar as pessoas pintando uma caricatura do Islã", disse Hartwig Moeller, chefe do Departamento de Proteção à Constituição da secretaria estadual do Interior, responsável pela publicação.

"Tínhamos de deixar claro que nosso alvo não eram os muçulmanos, e sim as pessoas que querem usar o Islã para seus fins políticos", disse Moeller.

Os personagens, desenhados no estilo mangá, podem ser usados em aulas sobre cidadania e religião para alunos de 12 a 16 anos.

"Aprendemos com nossos oponentes. É exatamente nessa idade que os islamitas estão tentando, por meio de escolas corânicas e outros meios, encher os jovens com outros valores", afirmou Moeller.

Muitos especialistas atualmente recomendam neutralizar a "narrativa" da Al Qaeda -- a mensagem de que o Ocidente trava uma guerra contra o Islã em países como Iraque e Afeganistão, e que os jovens muçulmanos precisam reagir, mesmo que tenham de se sacrificar como "mártires".

Na opinião dos especialistas, para muitos jovens a Al Qaeda oferece uma sensação de identidade, pertencimento e justiça -- sem falar no caráter de "aventura" da empreitada. A questão é como competir com esses atrativos.

Polícias e governos da Europa Ocidental criaram estratégias para dialogar com as comunidades islâmicas, mas há quem defenda abordagens mais incisivas.

Numa conferência neste mês em Estocolmo, o especialista sueco em terrorismo Magnus Ranstorp citou o exemplo do roqueiro indonésio Ahmad Dhani, que desafiou a militância islâmica com um álbum tremendamente popular, chamado "Guerreiros do Amor".

"Não estou sugerindo que precisamos de uma jihad musical contra o extremismo na Europa, ou que empreguemos a MTV em nossos esforços", disse Ranstorp.

"(Mas) como trazer nossas indústrias de humor, novelas e relações públicas para esses esforços para desarmar as mensagens dos extremistas e influenciar os jovens?"

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