July 31, 2008 / 2:29 PM / 9 years ago

ENTREVISTA-Paul Anka, autor de "My Way", mantém devoção à música

5 Min, DE LEITURA

Por Martin Roberts

MADRI (Reuters) - Depois de mais de 50 anos de trabalho no show business, o ídolo teen dos anos 1960 Paul Anka diz que fazer 75 apresentações por ano é melhor para a saúde que aposentar-se.

O primeiro sucesso do canadense Anka foi "Diana", em 1957, aos 16 anos. Ele compôs "It doesn't matter any more" para o mito do rock'n'roll Buddy Holly, e sua canção temática para o programa de Johnny Carson na TV americana foi ouvida todas as noites durante décadas.

Sua letra de "My Way" foi celebrizada por Frank Sinatra e é ouvida em karaokês pelo mundo afora, e ele já gravou mais de 120 álbuns. No momento, está trabalhando sobre outro álbum e sua autobiografia.

Paul Anka falou à Reuters por telefone sobre música, como ele sobreviveu com ela, sobre cantores que conheceu -- incluindo Elvis, Frank Sinatra e o "Rat Pack" -- e seus planos para o futuro.

Ele vai apresentar-se na Espanha nesta quinta e sexta-feira, percorreu a Europa recentemente e em setembro vai apresentar-se na Ásia.

Pergunta: É difícil continuar a fazer 40 apresentações por ano? Resposta: Na verdade faço 75. Muitas delas não são divulgadas. Faço shows para empresas, trabalho em cassinos. Hoje é muito mais fácil, acredite se quiser, do que era anos atrás, quando não havia tecnologia neste ramo. A gente não tinha controle sobre o que queria fazer, como tem hoje.

Quando trabalhávamos para a máfia em Las Vegas, eles nos diziam o que fazer, onde e como, e não havia discussão (ri). Era uma grande lição. Aprendíamos muito em termos de foco, integridade e profissionalismo.

P: Você poderia falar mais sobre a máfia?

R: Quando comecei no ramo musical, era tudo praticamente controlado pela máfia. Naquela época a máfia era dona de tudo, controlava tudo, e a gente tinha que trabalhar para ela. Não havia outro lugar para trabalhar, até que os Beatles abriram o mercado, então o hard rock chegou nos anos 1960, e os locais onde se tocava mudaram. Mas a gente trabalhava para aqueles sujeitos, estávamos ali com Frank Sinatra, Sammy Davis e Dean Martin, e era bastante interessante.

P: Então as coisas estão mais fáceis hoje?

R: Estão mais fáceis, mas acho que o mundo se tornou mais perigoso. Naquela época, (o presidente dos EUA John) Kennedy podia vir, havia garotas, dançarinas, prostitutas, e nada disso saía nos jornais. No mundo da grande mídia hoje, isso não é mais possível. A imprensa fica em cima dessas pessoas, Britney Spears ou qualquer outra pessoa.

P: Falando em mudanças tecnológicas no ramo musical, o que você acha dos downloads?

R: O ramo musical mudou e vai mudar mais. Acho que os CDs ficarão obsoletos, as gravadoras com as quais trabalho ficarão obsoletas. É como no ramo do cinema ou qualquer uma dessas infra-estruturas: a gente tem que trabalhar com a evolução dos tempos. Mas acho que tudo se resolverá a partir do momento em que as pessoas aceitarem qual é o novo modelo.

P: Foi difícil livrar-se do rótulo de "ídolo teen"?

R: Eu diria que os anos 1960 foram a época mais difícil, em termos de carregar aquele rótulo como um peso. Mas foi curioso porque, enquanto outros eram colocados de escanteio, eu continuei a funcionar e a ganhar a vida muito bem, talvez pelo fato de ser letrista. "My Way" marcou a virada para mim, porque deixei de ser um letrista adolescente. Passei a ser o cara que escrevia letras para seu parceiro.

P: Olhando para trás, tantas pessoas no mundo da música não sobreviveram, mas você, sim. Existe algum segredo?

R: Todos nós fazemos escolhas na vida e eu aprendi isso ainda criança, porque ninguém queria me proteger. Eu me fiz sozinho, me cerquei de pessoas boas.

Eu via Sinatra e todo aquele pessoas, como eles viviam bem. Aprendi com eles, mas também aprendi com eles o que não fazer: o álcool, as drogas. É a sobrevivência de quem está mais em forma.

Passei por isso com Elvis e entendi que esses caras não estavam sabendo lidar com o sucesso e que eu não queria me isolar de quem eu era, de minhas origens.

P: Você não pensa em se aposentar?

R: Não acredito na aposentadoria. Se você olha para a expectativa de vida, hoje, a chave dela é a atividade. Sou uma pessoa que cuida da saúde. Eu sei que preciso da atividade, preciso continuar a fazer o que eu amo.

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