Após polêmica com Bjork, China endurece com artista estrengeiro

quinta-feira, 17 de julho de 2008 11:48 BRT
 

PEQUIM (Reuters) - A China vai proibir a entrada de quaisquer artistas do exterior, Hong Kong e Taiwan que já participaram de atividades que "ameaçam a soberania nacional", disse o governo chinês na quinta-feira, após uma manifestação da cantora islandesa Bjork.

No início do ano Bjork gritou "Tibet! Tibet!" num concerto em Xangai, depois de cantar sua música "Declare Independence", que ela já usara no passado para promover movimentos de independência em outros lugares, como o Kosovo.

A China governa o Tibet com mão de ferro desde que suas tropas entraram na região do Himalaia em 1950, e Pequim condena imediatamente qualquer contestação a sua autoridade sobre a região.

"Qualquer indivíduo ou grupo artístico que em algum momento participou de atividades que ameaçam nossa soberania nacional não será autorizado a ingressar no país", disse o Ministério da Cultura em comunicado postado em seu site (www.ccnt.com.cn).

Durante apresentações artísticas, artistas que "ameaçam a unidade nacional", "incitam ao ódio étnico", "violam a política religiosa ou as normas culturais" ou "advogam a obscenidade ou o feudalismo e as superstições" também terão sua entrada no país proibida, segundo as normas anunciadas.

Além das novas regras anunciadas, Pequim proibiu a realização de festivais pop e endureceu as exigências para a aprovação de eventos ao ar livre nos meses que antecedem as Olimpíadas, devido ao receio de multidões descontroladas e potenciais manifestantes ameaçarem a segurança.

Mesmo os bis dados por artistas precisam ser previamente aprovados, disse o Ministério.

"Nada que não tiver sido previamente aprovado poderá ser apresentado", disse o comunicado.

Embora a questão tenha ganhado destaque internacional após o caso de Bjork, que motivou uma repreensão irada da China, os alvos mais comuns da ira de Pequim são cantores de Hong Kong e Taiwan, sociedades muito mais livres e etnicamente abertas.

A China proibiu por um ano a entrada no país da muito popular popstar taiuanesa Chang Hui-mei depois de ela ter cantado o hino da ilha autônoma na posse do presidente anti-China Chen Shui-bian, em 2000. A China considera que Taiwan faz parte de seu território.

Mais tarde, porém, a cantora foi perdoada e autorizada a entrar na China novamente.

 
<p>A cantora islandesa Bjork, que causou pol&ecirc;mica na China ao gritar 'Tibet, Tibet' no meio de sua m&uacute;sica 'Declare Independence'. Photo by Denis Balibouse</p>