5 de Abril de 2008 / às 12:54 / em 9 anos

Buena Vista Social Club se renova com jovens talentos cubanos

HAVANA (Reuters) - Alguns de seus astros morreram, depois de ganhar fama internacional na velhice, mas, para a banda cubana Buena Vista Social Club, um ícone do país, o show deve continuar, e por isso ela vem buscando novos talentos para levar suas turnês adiante.

A banda de 13 músicos viaja para a Grã-Bretanha na próxima semana para fazer 32 concertos, incluindo em Londres, Liverpool e Edimburgo.

Orlando "Cachaito" Lopez tocará o baixo novamente e Manuel "Guajiro" Mirabal estará no trompete. Os sobreviventes da gravação original premiada com o Grammy em 1997, que deu fama à banda, estão na casa dos 70 anos.

O acréscimo jovem à banda é a vocalista Idania Valdés, 2de 6 anos, que começou como cantora do coro do Buena Vista seis anos atrás e tocou teclado numa banda ligada ao grupo, do falecido Ibrahim Ferrer.

Barbarito Torres, de 52 anos, que toca alaúde, e o percussionista Amadito Valdés, de 62, ainda são presenças regulares na banda e farão parte da turnê.

"Os nomes mais famosos do projeto Buena Vista já morreram, mas a banda virou marca registrada da música cubana", disse Valdés, criador de um estilo único de tocar timbales, o instrumento cubano celebrizado pelo porto-riquenho Tito Puentes.

Desde a morte do cantor e líder do Buena Vista, Compay Segundo, aos 95 anos, em 2003, outros três integrantes da formação original do grupo faleceram: o pianista Ruben González, o cantor Ibrahim Ferrer e o vocalista e compositor Pio Leyva.

Outros membros seguiram caminhos próprios. É o caso do guitarrista Eliades Ochoa, que todos os anos faz uma turnê na Europa com banda própria, e da diva Omara Portuondo, que cantou pela última vez com os membros originais do Buena Vista no México, em 2006.

Portuondo está realizando até 10 de maio uma turnê pelo Brasil com a cantora Maria Betânia e depois irá à Argentina e ao Chile. Ela também vai cantar na casa de espetáculos Kenwood House, em Hampstead Heath, Londres, em julho, com banda própria.

Muitos dos músicos já estavam aposentados quando foram convocados para uma legendária sessão de gravação em março de 1997 produzida em Havana pelo guitarrista americano Ry Cooder, embora a idéia tenha sido do britânico Nick Gold, dono de um selo de world music.

Os números de mambo, chá-chá-chá e bolero que eles tocaram suscitaram nostalgia pela era de ouro da música cubana, espelhada nos velhos edifícios decrépitos e nos automóveis americanos antigos que ainda circulam por Havana.

O disco do Buena Vista vendeu 1 milhão de cópias em um ano e alcançou públicos novos graças ao documentário feito dois anos mais tarde pelo cineasta alemão Wim Wenders. Sete milhões de cópias foram vendidas até hoje, fazendo dele o disco de world music mais vendido de todos os tempos.

Por causa da Guerra Fria, a música cubana tinha se distanciado de seu mercado natural nos EUA. A gravação premiada com o Grammy reconquistou o público norte-americano e capturou novos ouvintes em lugares tão distantes quando a Islândia e a Nova Zelândia, contou Valdés.

"O disco quebrou todos os recordes de vendas de música cubana, tornando-se uma das marcas registradas de Cuba", disse Valdés.

O fundador cubano do Buena Vista, Juan de Marcos González, que reuniu a formação original, continua a promover músicos por meio de sua banda, a Afro-Cuban All Stars.

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