20 de Março de 2008 / às 01:19 / 10 anos atrás

Crise norte-americana poupa os ricos de Beverly Hills

Por Sue Zeidler

LOS ANGELES (Reuters) - A vida anda dura em Beverly Hills, embora a situação para os muito ricos não seja nem de longe tão preocupante quanto a do norte-americano médio.

Veja o caso de Tim O‘Hara, gerente da concessionária Rolls-Royce que leva seu nome e atende astros do rock, atores e executivos de Hollywood, muitos dos quais são moradores de Beverly Hills, um endinheirado subúrbio de Los Angeles.

“Alguns clientes compravam um Rolls-Royce e uma Bentley a cada 12 meses, mas agora reduziram para a compra de dois carros num período de 18 meses”, disse ele.

Carros como Rolls, Aston Martins, Bentleys e Lamborghinis custam entre 100 mil e 1 milhão de dólares e ainda encontram compradores por aqui. Para pessoas com patrimônio superior a 10 milhões de dólares, os efeitos da crise econômica são bem mais sutis do que a perda de casas, empregos e aposentadorias.

Gary Gold, vice-presidente-executivo da imobiliária de luxo Hilton & Hyland, de Los Angeles, conta que as casas mais caras (de 3 a 10 milhões de dólares) agora passam um pouco mais de tempo à venda, mas nada que se compare à situação da Flórida ou Las Vegas, onde o tempo médio de espera por um negócio é de dois a três anos.

Mas a Hilton & Hyland vive desde o ano passado uma fase recorde de vendas para imóveis avaliados acima de 10 milhões de dólares.

“A riqueza de algumas pessoas está evaporando, mas no super-topo não parece ter tido um grande impacto,” disse Gold, citando também o enorme afluxo de dinheiro estrangeiro no mercado imobiliário de Los Angeles.

Os negócios continuam bons também para Hamish MacDonald, executivo-chefe da Customized Fitness Systems, que constrói academias de ginástica de 100 mil dólares na casa das celebridades.

“Vendemos uma esteira por 12 mil dólares. Muitos dos nossos clientes estão comprando esteiras. Venda fácil”, disse ele. “A maioria dos nossos clientes são celebridades ‘top’ e estão ganhando 20 milhões de dólares ou mais em filmes, então não acho que isso [a crise econômica] esteja afetando seu cotidiano”, acrescentou.

Mas aparentemente os ricos estão de olho nos juros do Fed (Banco Central). O‘Hara, o representante da Rolls-Royce, prevê que vários clientes podem preferir usar seu dinheiro para outras coisas que não carros.

“Há algumas excelentes oportunidades de compra no setor imobiliário. Ao invés de comprar essas Rolls neste ano, alguns podem decidir pegar seus 500 mil dólares para comprar um jatinho particular de segunda mão. Há muitas maneiras de gastar dinheiro.”

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