19 de Novembro de 2007 / às 11:42 / em 10 anos

Soldadas israelenses contam traumas em filme

Por Rebecca Harrison

JERUSALÉM (Reuters) - Uma limpou o corpo de um palestino morto para apagar marcas de abusos. Outra deixou um homem de cueca para depois golpeá-lo.

Cada uma das seis israelenses retratadas no documentário “To See If I‘m Smiling” (para ver se estou sorrindo) convive com suas lembranças do serviço militar compulsório. Todas gostariam de apagá-las da memória.

Contudo, depois dos anos tentando se livrar do passado, elas resolveram contá-lo no filme que explora o lado sombrio dos 40 anos de ocupação dos territórios palestinos por Israel. O documentário examina o impacto dessa ocupação numa geração de jovens, homens e mulheres.

“É fácil terminar o serviço militar e empurrar isso para um canto remoto da mente”, afirma a diretora Tamar Yarom. “Mas essas garotas estão contando as suas histórias pessoais, que não são sempre legais, para mostrar às pessoas o que está acontecendo.”

Cinco das seis mulheres serviram em territórios palestinos durante o conflito que começou no ano 2000. No filme, elas relembram o período, descrevem como lidaram com o machismo militar e com a culpa pelo que testemunharam.

Uma das garotas, que queria salvar vidas como paramédica, contou que terminou esfregando corpos para esconder os sinais dos abusos cometidos por soldados israelenses. Visivelmente nervosa, ela olhou pela primeira vez em anos para um foto dela com um palestino morto. “Como, diabos, eu fui pensar que um dia eu conseguiria esquecer?,” indaga ela, chorando.

“SITUAÇÃO DISTORCIDA”

Embora as mulheres não se aproximem da linha de frente, Israel é um dos poucos países a ter serviço militar feminino obrigatório.

Yarom tenta chamar a atenção para a fragilidade de algumas soldadas, muitas com menos de 20 anos, e a violência em que elas se meteram.

“Você espera que as mulheres sejam mais sensíveis, mas a força desse filme é que ele mostra o que acontece numa situação distorcida como essa, e como as mulheres não são imunes”, afirmou Yarom.

Yarom espera que o documentário estimule outros ex-soldados a falar sobre a violência que eles cometeram ou testemunharam.

“Este país está em coma, com todas essas bombas e ataques”, declara ela. “As pessoas acham que estamos numa guerra pela sobrevivência e que é melhor não criticar os militares.”

Em comunicado, o Exército de Israel afirmou que os seus soldados respeitam um código estrito de ética, e, quando esse código é quebrado, uma investigação é feita. Os militares dizem que o número de abusos contra palestinos “caiu de forma consistente” desde os eventos descritos no filme.

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