Astros e estrelas atraem público improvável a filmes de arte

terça-feira, 16 de setembro de 2008 11:23 BRT
 

Por Steven Zeitchik

NOVA YORK (Hollywood Reporter) - Nos primeiros dias do Festival Internacional de Cinema de Toronto deste ano, não era raro ver grupos de adolescentes perguntando por informações a respeito de um certo Zac Efron, que estava na cidade para divulgar seu novo filme "Me and Orson Welles", que ainda não encontrou distribuidora.

Algumas delas nem mencionavam Efron por seu nome, como se fazê-lo pudesse dar azar na procura. As fãs simplesmente mostravam a jornalistas revistas de celebridades com a foto do ator e perguntavam "você sabe onde ele está?", com a curiosidade muito séria de um investigador tentando localizar um suspeito foragido.

Quando a resposta era negativa, as garotas diziam que ainda tinham esperança, já que tinham conseguido ingressos para a première do filme.

Poucas histórias ilustram tão bem o poder de uma celebridade para ganhar público. "Orson Welles", misto de comédia e drama ambientado no mundo da intelectualidade nova-iorquina dos anos 1930 e repleto de tiradas espirituosas, não seria normalmente visto como programa típico por adolescentes para uma noite de sexta-feira.

Mas coloque o galã de "High School Musical" no filme, e de repente sua première se torna um evento tão importante quanto a chegada dos Beatles aos EUA.

A presença de Zac Efron foi uma entre vários cruzamentos de estrelas em Toronto. Um dos filmes mais comentados do festival foi "Easy Virtue", comédia de costumes britânica cuja história se passa logo depois da 1a Guerra Mundial. É um filme agradável, cheio de diálogos hábeis, estrelado por Colin Firth, Kristin Scott Thomas e -- surpresa -- Jessica Biel.

Jessica quem? A atriz que ficou conhecida no seriado "7th Heaven", da Warner Bros, e que foi mencionada recentemente na mídia por sua inclusão nas listas das "100 mulheres mais sexys" compilada pela FHM e das "100 mais gostosas" da VH1.

Jessica Biel não atraiu as mesmas multidões extasiadas que Zac Efron. Mas sua presença no filme foi evidentemente pensada para atrair um público masculino jovem que tenderá mais a ver "A Casa das Coelhinhas" que uma versão modernizada de uma peça de Noel Coward.

Mesmo documentários entraram nessa onda. Uma sessão de "Paris, Not France", de Adria Petty, estava lotada de adolescentes rindo enquanto assistiam ao filme, uma apologia dos hábitos festeiros de Paris Hilton.