August 13, 2008 / 1:34 PM / 9 years ago

Escritor lança olhar sério sobre a história das piadas

3 Min, DE LEITURA

Por Ritsuko Ando

NOVA YORK (Reuters) - Um barbeiro tagarela pergunta a seu cliente: "Como o sr. quer que eu corte seu cabelo?"

"Em silêncio!" diz o freguês.

Essa piadinha da Grécia antiga é uma das muitas encontradas por Jim Holt quando ele procurou traçar a evolução das piadas em seu novo livro, "Stop Me If You've Heard This: A History and Philosophy of Jokes".

Escritor científico nova-iorquino, Holt disse que sempre achou as piadas um fenômeno interessante.

"É o único campo de atividade criativa em que um estímulo cerebral muito complexo, uma pequena tolice, suscita uma reação fisiológica maciça", explicou em entrevista.

Ninguém sabe quem contou a primeira piada, mas Holt disse que, na antiguidade ateniense, comediantes costumavam reunir-se no templo de Héracles para trocar piadas.

Um estudo recente de pesquisadores da Universidade de Wolverhampton, na Inglaterra, descobriu a piada registrada mais antiga, que foi contada na Suméria (atual Iraque) por volta de 1.900 a.C. A piada é sobre flatulência feminina, mostrando que o humor escatológico sempre foi popular.

As piadas podem ter acompanhado o advento da vida urbana, segundo Holt, com o crescimento do comércio e das interações humanas.

As piadas de teor sexual e escatológico são favoritas perenes, disse ele, mas desde meados do século 19 o humor ocidental evoluiu, tornando-se um exercício intelectual envolvendo paradoxos espirituosos.

Uma função importante das piadas é dar alívio às pessoas, sob a forma de humor negro, disse ele, mesmo sobre tópicos que podem parecer inapropriados, como os ataques de 11 de setembro sobre o World Trade Center em Nova York.

"Quando as pessoas finalmente começaram a contar piadas sobre o 11 de setembro, foi um alívio", disse ele. "E piadas sobre o Holocausto. Às vezes essa é a única maneira de dar alívio, de maneira terapêutica."

Mas Holt diz que já ouviu muitas piadas alemãs sobre Auschwitz que são "simplesmente revoltantes". Com esse tipo de piadas, incluindo as que envolvem raça e deficientes, muita coisa depende de quem conta a piada e qual é sua intenção.

"Eu esperaria que haveria harmonia entre os valores de humor e moralidade", disse o escritor. "Mas tenho certeza que não é esse o caso. Acho que deve haver piadas profundamente imorais que são engraçadíssimas."

Holt acha que o humor não é uma qualidade crucial para líderes e que muitas piadas contadas por políticos são péssimas. Mesmo quando são boas, podem ser arriscadas.

"Os americanos hoje em dia se ofendem com enorme facilidade", explicou.

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