22 de Julho de 2008 / às 13:18 / em 9 anos

Fotógrafo Julius Shulman passa por revival aos 97 anos

<p>Case Study House No. 22, uma das fotografias mais famosas de Julius Shulman. Photo by Fred Prouser</p>

Por Mary Milliken

LOS ANGELES (Reuters) - Julius Shulman fez uma foto em 1960 que levou milhões de pessoas a sonhar com uma vida perfeita: duas mulheres sentadas numa casa de vidro aparentemente suspensa no ar, iluminada por baixo pelo sol de Los Angeles.

Quase 50 anos após a famosa foto, o homem visto por muitos como o melhor fotógrafo arquitetônico da história virou figura cult para uma nova geração que cobiça a arquitetura moderna minimalista da metade do século 20 que ele difundiu pelo mundo.

“As pessoas estão descobrindo a arquitetura e o poder da fotografia”, disse Shulman em entrevista em sua casa, em Laurel Canyon, cercado por fotos e layouts de livros de arte de editoras como a Taschen.

Revistas de estilo moderno, como Wallpaper e Dwell, também publicaram artigos recentes sobre Shulman, e sua obra foi levada ao cinema num novo documentário, “Visual Acoustics: The Modernism of Julius Shulman”, narrado por Dustin Hoffman.

Shulman, que ainda é ativo, atribui seu sucesso ao fato de “estar no lugar certo na hora certa”. O lugar em questão foi Los Angeles num momento em que os modernistas estavam construindo o que seria essencial para o sonho californiano.

Sua primeira grande chance aconteceu com um dos mais famosos arquitetos modernistas de Los Angeles, Richard Neutra, em 1936.

“Neutra viu as fotos que eu fizera de sua casa. Fiz seis fotos. Ele nunca tinha visto fotos como as que eu fiz”, contou Shulman.

“Até então, eu apenas brincava com minha máquina fotográfica.”

FOTOS CINEMATOGRÁFICAS

As aclamadas fotos do trabalho de Neutra foram seguidas por uma enxurrada de encomendas de outros gigantes da arquitetura, especialmente Frank Lloyd Wright.

Shulman passou 12 dias fotografando a casa de inverno de Wright e sua escola Taliesen West, no Arizona, por onde passaram muitos dos arquitetos de Los Angeles.

Shulman se aposentou nos anos 1970, insatisfeito com o rumo da arquitetura no pós-modernismo.

As dezenas de milhares de fotos que ele fez nos anos 1950 e 1960 projetam o otimismo dos modernistas, que acreditavam poder melhorar a vida através do bom design.

“As fotos são de natureza muito cinematográfica. Eu queria vê-las na tela grande e queria que as pessoas entendessem o espírito por trás da fotografia e arquitetura”, disse o diretor do documentário, Eric Bricker.

Bricker disse que o talento de Shulman é “todo intuição”.

“Shulman tem um senso incrível de composição e é mestre da luz”, disse o diretor.

De fato, 70 anos após seus primeiros trabalhos, Shulman, trabalhando com um fotógrafo assistente, ainda é capaz de criar composições deslumbrantes.

No documentário, ele é visto fotografando o Walt Disney Concert Hall, projetado por seu amigo Frank Gehry, conhecido por sua arquitetura pós-moderna expressionista e que conseguiu seus primeiros pedidos de trabalho através de Shulman.

“Eu controlo o que chamo de a acústica visual”, disse Shulman enquanto compunha a foto do interior vanguardista da sala de concertos criada por Gehry.

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