Rede ABC defende novo seriado contra críticas de pediatras

terça-feira, 29 de janeiro de 2008 11:00 BRST
 

Por Steve Gorman

LOS ANGELES (Reuters) - A rede ABC disse na segunda-feira que vai levar adiante planos de colocar no ar seu novo drama legal "Eli Stone", apesar das objeções de pediatras para os quais o seriado pode induzir pais a não imunizar seus filhos contra doenças.

O episódio de estréia mostra o personagem-título, um advogado de grandes empresas que decide defender o pequeno consumidor, convencendo um júri de que um conservante à base de mercúrio contido em uma vacina causou o autismo de uma criança.

No seriado, o tribunal condena a empresa a pagar à mãe do menino indenização de 5,2 milhões de dólares, depois de vir à tona que o executivo-chefe da empresa não deixou sua própria filha tomar a vacina fabricada por sua empresa, por medo de que ela pudesse tornar-se autista.

A trama de "Eli Stone" mergulha no debate acirrado travado entre o establishment médico dos EUA e alguns pais e defensores de crianças autistas em torno da segurança da vacinação infantil.

Os críticos da imunização infantil argumentam que o timerosal, um conservante à base de mercúrio empregado anteriormente em vacinas, é uma das principais causas de autismo em crianças pequenas.

As principais autoridades de saúde dos EUA, incluindo o Centro de Controle de Doenças (CDC), citam diversos estudos que excluem qualquer vínculo científico entre autismo e vacinas.

Reagindo à sinopse do episódio de "Eli Stone" apresentada num artigo recente no New York Times, a Academia Americana de Pediatria divulgou comunicado criticando o seriado por "dar ao público a idéia destrutiva de que vacinas provocam autismo".

A ABC disse que pretende transmitir o episódio sem modificações, mas com uma ressalva na abertura, declarando que a história é fictícia. Uma mensagem ao final do episódio recomendará que os espectadores procurem o web site do CDC para maiores informações sobre autismo.