Greve dos roteiristas de Hollywood custou US$2,5 bilhões--estudo

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008 11:48 BRT
 

Por Elizabeth Guider

LOS ANGELES (Reuters) - Os efeitos colaterais da greve dos roteiristas de Hollywood podem ter alcance e duração maiores do que se pensou num primeiro momento. É o que diz um influente economista de Los Angeles em seu "Relatório de Previsão Econômica" anual para o condado de Los Angeles e as regiões vizinhas.

A greve que começou em 5 de novembro e foi encerrada com um acordo trabalhista no início deste mês já custou à cidade estimados 2,5 bilhões de dólares, segundo Jack Kyser, economista chefe da Empresa de Desenvolvimento Econômico do Condado de Los Angeles.

A cifra inclui salários perdidos de programas de TV que foram cancelados e filmes que foram suspensos, além de uma multidão de serviços de apoio que vão desde motoristas de limusines até floriculturas. Kyser sugeriu que o cancelamento da cerimônia dos Globos de Ouro tenha resultado num prejuízo de 60 milhões de dólares para a comunidade.

O relatório de 71 páginas, que deve ser divulgado na quarta-feira, foca outras questões que afetam a região, incluindo a crise dos imóveis residenciais e o turismo, mas contém várias páginas dedicadas aos problemas do setor de entretenimento.

Apesar de Kyser e sua equipe de pesquisadores apontarem os grandes ganhos nas receitas das bilheterias domésticas e internacionais em 2007 e destacarem a temporada forte dos programas de televisão a cabo, existem indicadores preocupantes que não podem ser ignorados.

De acordo com o economista, a maior das preocupações é o fato de que a liderança do Sindicato de Atores do Cinema e da Televisão "está adotando um discurso intransigente", suscitando o temor crescente de que os atores possam entrar em greve depois do término de seu contrato coletivo com os estúdios, em 30 de junho. Kyser também observou que as vendas de DVDs deixaram de subir, tendo na verdade tido uma queda de 3,4 por cento no ano passado, para 16 bilhões de dólares, e que a temporada dos programas de TV baseados em roteiros foi desorganizada pela greve.

O economista também observou que o Estado da Califórnia não subsidia produções cinematográficas de baixo orçamento, e que, com o aumento do déficit orçamentário estadual, não se pode esperar que essas produções contem com o apoio dos contribuintes no futuro próximo.