Michael Moore vê risco em continuação de "Fahrenheit 11/9"

sexta-feira, 16 de maio de 2008 21:20 BRT
 

Por Bob Tourtellotte

CANNES (Reuters) - O documentarista Michael Moore, que anunciou nesta semana a realização de uma sequência de "Fahrenheit 11/9" disse na sexta-feira que vai abordar temas tão "tóxicos" que provavelmente nem seja uma boa idéia fazê-lo.

Mas Moore adora uma polêmica, então provavelmente seu novo filme terá mesmo uma dose de risco -- como ele mesmo admitiu a jornalistas durante o festival de Cannes. "É algo que eu não deveria fazer, algo que é perigoso", afirmou.

O cineasta dá poucos detalhes do recém-iniciado novo projeto, ainda sem nome, que deve ser lançado num prazo aproximado de um ano.

Segundo ele, não se trata propriamente de uma sequência de "Fahrenheit 11/9", mas o foco será o governo Bush -- como ele afetou a vida dos norte-americanos e a reputação dos EUA no mundo.

Moore se pergunta se, em meio a duas guerras e uma ameaça de recessão, os EUA não se tornaram uma espécie de Império Romano em seus estertores. "Será que já chegamos nesse ponto?", questionou.

Também nas bilheterias o seu novo filme corre risco. Longas recentes sobre as atuais guerras do Iraque e Afeganistão, como "Stop-Loss" e "No Vale das Sombras", foram um fracasso comercial.

Já "Fahrenheit 11/9", lançado em 2004, foi o documentário político mais lucrativo de todos os tempos, tendo arrecadado 220 milhões de dólares em todo o mundo.

Para Moore, isso ocorre porque hoje em dia os norte-americanos não apóiam mais os conflitos, enquanto naquela época as pessoas se surpreendiam com as coisas que "Fahrenheit 11/9" contava.

Segundo ele, seu novo filme também deixará as platéias chocadas com detalhes sobre o presidente George W. Bush e suas políticas. "O que eu vou dizer neste filme é provavelmente 70 por cento do que [os espectadores] não querem ouvir", afirmou.