March 15, 2008 / 12:35 AM / 9 years ago

Quincy Jones lembra momentos memoráveis de sua carreira

5 Min, DE LEITURA

Por Chuck Crisafulli

LOS ANGELES (Hollywood Reporter) - Muitas celebridades são conhecidas por um único nome, mas Quincy Jones talvez seja a única a ser imediatamente reconhecível por uma única letra.

"Q", como o conhecem seus colegas, amigos e fãs, já ganhou 27 prêmios Grammys -- um número superado apenas pelo falecido regente clássico sir Georg Solti, que recebeu 31.

Jones também recebeu oito indicações ao Oscar, foi homenageado pelo Kennedy Center e agraciado com a Legião de Honra, a mais alta condecoração francesa.

Em seu trabalho como compositor para o cinema e a televisão e produtor de discos, Jones criou momentos musicais que vão desde arranjos de brilho sutil até ganchos pop instantaneamente reconhecíveis.

Seguem suas reflexões sobre alguns sons memoráveis de sua carreira estelar.

"SOUL BOSSA NOVA" (DO ÁLBUM DE 1962 "BIG BAND BOSSA NOVA")

"Fiquei fascinado com a bossa nova quando fui ao Brasil, em 1956, e conheci João Gilberto, Astrud Gilberto e Antonio Carlos Jobim. Em 1962, fiz um álbum inteiro de bossa nova, e foi para esse disco que compus "Soul Bossa Nova". Foi um dos primeiros trabalhos de Lalo Schifrin num disco -- ele tocou piano. A bossa nova vai e vem. E então, 40 anos mais tarde, chega Mike Myers e faz aquela faixa da canção tema de "Austin Powers". Então Ludacris faz um sucesso com a bossa nova. Isso é forte. Você não sabe o que vai acontecer, mas deixa rolar. Está fora de suas mãos. Você só deixa a música seguir adiante."

"No Calor Da Noite", 1967

"Você tem que fazer o que o filme pede. Às vezes você se surpreende com a música que um filme arranca de você. Você se descobre fazendo coisas que jamais teria imaginado fazer. A cena da ponte em 'No Calor da Noite' foi assim. Tínhamos Don Elliot ali, fazendo percussão de boca e outras coisas. Se tentássemos superintelectualizar aquele momento, não imaginaríamos que colocar uma música ali funcionaria. Mas funcionou."

"A Sangue Frio", 1967

"Uma das frustrações que tive ao compor música para o cinema foi que nem sempre era possível levar a música à telona. O som ótico não dava conta da música. A gente gravava em fita magnética, e, quando a música era transferida para o som ótico, perdia muito. A música de 'A Sangue Frio' era em tom muito baixo, com violoncelos, contrabaixos e um dos primeiros sintetizadores usados numa trilha sonora. Richard Brooks sabia da minha preocupação, então, juntamente com um engenheiro da RCA, foi ajustar todos os alto-falantes nos 65 primeiros cinemas em que "A Sangue Frio" foi exibido, para que a música soasse certo. Cara, ficou maravilhoso. Eu não conseguia agradecê-lo o bastante."

"Sanford and Son", 1972

"Bud Yorkin me falou: 'Vou fazer um piloto com um sujeito chamado Red Foxx'. Eu disse: 'Tá brincando! Conheci Red Foxx no Apollo 20 anos atrás. Posso compor a música dele agora mesmo -- nem preciso assistir ao piloto'. Compus em 20 minutos e gravei em 20 minutos com quatro sujeitos, incluindo o grande gaitista Tommy Morgan. Ainda acho que ficou bom."

"Thriller", 1982

"Dizem que a música é a linguagem universal, mas a música que as pessoas realmente entendem é a afro-americana. É fascinante ver que todos os países do mundo colocam sua música nativa de lado e usam a música que veio do jazz e do blues como seu esperanto (sua linguagem comum). É incrível. Vou a qualquer país no mundo e ouço som afro-americano. Pode ser qualquer país -- você sai para tomar uma cerveja, chega à meia-noite, e o que você ouve? 'Billie Jean'. Vinte e cinco anos mais tarde, ela continua presente."

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