24 de Julho de 2008 / às 00:07 / 9 anos atrás

"Edição Negra" da Vogue italiana foi instigada por Obama

<p>Franca Sozzani, diretora da Vogue Italiana, fala durante entrevista &agrave; Reuters em Roma, no dia 6 de julho. Photo by Max Rossi</p>

Por Jo Winterbottom

MILÃO (Reuters) - A editora da Vogue italiana, Franca Sozzani, disse que a idéia de lançar em julho a primeira "Edição Negra" da revista de moda veio em parte por causa do avanço de Barack Obama como candidato presidencial democrata nos Estados Unidos.

A outra parte foi devido ao fato de ela não ficar impressionada com a safra atual de modelos, todas parecidas e com pouca personalidade.

"Os EUA estão preparados para ter um presidente negro. Então por que nós não estamos preparados para modelos negras?" disse Sozzani em entrevista à Reuters.

"Eu estava nos EUA na 'super terça'. É claro que isso me influenciou, de certo modo -- passou a fazer parte de minha idéia geral."

A inspiração se converteu numa edição que traz mais de 20 modelos negras, desde Naomi Campbell até relativas novatas, como a britânica Jourdan Nunn, que é o destaque da capa.

Sozzani, que está na Vogue italiana há 20 anos, disse que o que a atraiu também foi a personalidade forte das modelos negras.

"Não gosto realmente de nenhuma das garotas que desfilam hoje. São todas belíssimas, têm pernas longas e olhos lindos, mas são todas parecidas", disse ela.

"Nenhuma delas me impressionou. A única que me impressionou foi Liya Kebede. Ela é tão elegante, tão chique", disse a editora, falando da modelo etíope que é também embaixadora da boa vontade da Organização Mundial da Saúde.

A edição de julho da revista inclui um perfil de Michelle Obama, esposa do candidato presidencial, e entrevistas com o cineasta Spike Lee e com Edmonde Charles-Roux, que se demitiu do cargo de editora da Vogue Paris após a decisão de não colocar na capa a modelo negra Donyale Luna em junho de 1966.

Sozzani disse que hoje, 40 anos depois, não encontrou resistência.

"Não houve resistência nenhuma, nem dos clientes, nem das pessoas. A direção da revista ficou entusiasmada desde o primeiro momento."

A editora pretende usar mais modelos negras no futuro, mas acrescenta: "Não quero dizer que todas as edições, todas as matérias devam ser com meninas negras, mas deveríamos ter mais delas."

A indústria da moda ainda emprega poucas modelos negras em anúncios, e mesmo nas quase 350 páginas da Edição Negra elas aparecem em poucos anúncios.

Sozzani diz que usou sua influência com alguns anunciantes para convencê-los a usar modelos negras.

"Sei que eles já estão pedindo mais para sessões de fotos e que alguns estão pensando em usar mais nos desfiles", ela disse, mas acrescentou: "Nunca se sabe o que se passa na cabeça dos estilistas."

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