5 de Setembro de 2008 / às 15:40 / em 9 anos

Índios do Brasil, animação e Hathaway lideram disputa e Veneza

Por Mike Collett-White e Silvia Aloisi

<p>&Iacute;ndios do Brasil, anima&ccedil;&atilde;o e Hathaway lideram disputa em Veneza. A atriz Anne Hathaway no Festival de Cinema de Veneza. Uma anima&ccedil;&atilde;o japonesa desenhada &agrave; m&atilde;o, a hist&oacute;ria de um choque entre &iacute;ndios e fazendeiros no Brasil e um filme sobre o passado sangrento da Eti&oacute;pia est&atilde;o entre os favoritos para o pr&ecirc;mio m&aacute;ximo do festival. 3 de setembro. Photo by Max Rossi</p>

VENEZA (Reuters) - Uma animação japonesa desenhada à mão, a história de um choque entre índios e fazendeiros no Brasil e um filme sobre o passado sangrento da Etiópia estão entre os favoritos para conquistar o prêmio máximo do festival de Veneza, no sábado.

A atriz de Hollywood Anne Hathaway também impressionou a crítica com um papel sombrio que difere de seus trabalhos anteriores: o de uma dependente de drogas em “Rachel Getting Married”, que se destacou entre os 21 filmes da mostra competitiva do festival, vista como de modo geral como fraca este ano.

O respeitado animador japonês Hayao Miyazaki encantou o público com sua versão própria de “A Pequena Sereia”, “Ponyo on the Cliff by the Sea”, que já é enorme sucesso de bilheteria no Japão.

“Pela primeira vez, o público e os críticos concordam quanto ao fato de o filme de Miyazaki ser uma obra-prima da animação”, escreveu a veterana crítica Natalia Aspesi no jornal italiano La Repubblica.

Se Miyazaki levar o Leão de Ouro de melhor filme no fim de semana, será o quarto ano consecutivo em que o prêmio máximo do festival fica com um diretor asiático.

O trabalho etíope “Teza” também é visto como candidato ao Leão de Ouro, e, se o recebesse, seria a primeira vez em que um filme africano venceria em Veneza, o festival de cinema mais antigo do mundo.

A história contundente de Haile Gerima sobre um intelectual que foge da violência em sua Etiópia nativa e na Alemanha seria um vencedor de modo geral bem recebido.

A imprensa italiana está torcendo por uma vitória de seu país pela primeira vez em dez anos com “Birdwatchers”, sobre índios guarani-kaiowás no Brasil que não têm outra perspectiva de vida senão trabalhar para fazendeiros, em condições de escravidão, e posar para fotos com turistas.

Para Lee Marshall, da revista Screen International, o filme “seria uma boa indicação para o Leão de Ouro por sua mensagem de esquerda, porque é bem filmado e porque inova na medida em que as comunidades tribais são as protagonistas, e não apenas um pano de fundo.”

Além de Anne Hathaway, outra atriz que causou boa impressão no festival foi a premiada com o Oscar Charlize Theron, vista em “The Burning Plain”, uma história intensa de amor e traição, além de ser a estréia na direção do aclamado roteirista mexicano Guillermo Arriaga.

Os irmãos Coen abriram o festival este ano com “Queime Depois de Ler”, que não participou da competição mas garantiu a presença no tapete vermelho dos astros de Hollywood Brad Pitt e George Clooney.

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