Bob Dylan mostra em São Paulo por que sua casa é a estrada

sexta-feira, 7 de março de 2008 10:30 BRT
 

Por Angus MacSwan

SÃO PAULO (Reuters) - Aos 66 anos, Bob Dylan continua, como diz uma de suas canções, "com o pé na estrada, indo para outra bocada", como o artista intrigante e cativante que sempre foi.

A "bocada", na quarta e quinta-feira, foi o Via Funchal, em São Paulo. Ele ainda toca no Rio de Janeiro, no sábado. O cantor, de volta ao Brasil após dez anos, presenteou os fãs -- jovens ou nem tanto -- com 25 músicas diferentes em duas noites.

Com a ajuda de uma banda de craques, Dylan resgatou as canções da década de 1960, cheias de conotações políticas, que lhe fizeram famoso e revolucionaram a música pop. Cantou também várias músicas, irônicas e inteligentes, do seu mais recente álbum, "Modern Times".

Na primeira noite, os destaques foram uma vibrante versão de "Highway 61 Revisted" e a pacifista "Masters of War", tão atual agora quanto há 40 anos, além de "All Along the Watchtower", no bis.

A segunda noite começou com a dobradinha "Rain Day Women" e "Lay Lady Lay", junto com a vigorosa "Tangled Up in Blue".

Tanto na quarta-feira quanto na quinta-feira, o encerramento do show ficou com a clássica "Like a Rolling Stone", diante de uma platéia que levantava a voz no refrão para perguntar: "How does it feel?"

E, no bis da segunda noite, lá estava a música que os brasileiros tanto queriam ouvir -- "Blowin' in the Wind". O hino pacifista virou uma espécie de funk ou R'n'B, o que mostra como Dylan consegue manter o frescor da sua obra ao reinterpretá-la.

"Foi incrível. A alma dele ainda está intacta", disse o estudante Bruno Tchalian, 20 anos, após o show de quinta-feira.   Continuação...

 
<p>O cantor e compositor norte-americano Bob Dylan toca no Via Funchal, na quarta-feira, em S&atilde;o Paulo. Photo by Reuters (Handout)</p>