3 de Março de 2008 / às 12:03 / 9 anos atrás

Como no filme, Casablanca tem um Rick's Café na vida real

Por Toni Reinhold

CASABLANCA (Reuters) - O ano é 1942. O mundo está em guerra, e Hollywood faz sua parte para ajudar os Aliados, criando filmes como "Casablanca", no qual Humphrey Bogart e Ingrid Bergman imortalizaram uma canção, um romance e um bar.

Estamos em 2008. Um príncipe está sentado diante de uma mesa do Rick's Café, envolto em sombras e luz amarelada. Um ex-oficial militar comemora seu aniversário com uma dezena de convidados. A música de um piano chega às varandas, e não falta champanhe gelada.

Mas não imagine que Bogart vá descer as escadas, ou que Bergman vá pedir ao pianista que toque "As Time Goes By".

"Achei que Casablanca estava perdendo por não ter um Rick's", diz Kathy Kriger, 61 anos, ex-diplomata americana que capturou o ambiente do "Rick's Cafe Americain" do filme e converteu uma mansão dos anos 1930 à beira-mar em marco de Casablanca.

"Mas 95 por cento das pessoas no Marrocos nunca assistiram ou ouviram falar no filme", disse ela.

Dois taxistas indagados não tinham ouvido falar do Rick's Cafe e não entenderam sua relação com o filme. Todos os dias, porém, do meio-dia até a hora de fechamento, o bar é frequentado por clientes tão internacionais quanto o elenco do filme "Casablanca".

Numa noite de domingo, quando o bar apresenta jazz ao vivo, havia marroquinos, turistas americanos, europeus, asiáticos e pessoas locais e internacionais portando laptops e pastas de trabalho.

"Como no filme, o restaurante em si está se tornando secundário. O que acontece em seu interior é o que realmente interessa a todo mundo", disse Kriger, que -- como fazia Rick no filme -- vive no andar superior da casa e fiscaliza tudo pessoalmente.

"Casablanca" estreou em Nova York em 26 de novembro de 1942, semanas após o desembarque das tropas americanas no então Marrocos francês, perto de Casablanca, na costa Atlântica.

O filme mostrou a cidade como reduto norte-africano de refugiados, pessoas que trabalhavam no mercado negro, membros da resistência clandestina aos nazistas e espiões, muitos dos quais frequentavam o restaurante de Rick (Bogart). Ali, eles escapavam do mundo, viviam seus dramas pessoais, jogavam e tomavam champanhe.

Hoje a maior cidade do Marrocos é uma capital de negócios e ponto de encontro internacional, que abriga um dos maiores portos não naturais do mundo.

O Rick's Café vai comemorar seu quarto aniversário em breve.

"O restaurante é um sucesso", diz Kriger, natural de Portland, Oregon, cujo trabalho com o Serviço de Comércio Exterior do Departamento de Estado dos EUA a levou a Casablanca em 1988.

No final de 2002 ela comprou por cerca de 180 mil dólares a casa que abriga o Rick's Café. "O imóvel estava em péssima estado, mas percebi por seus arcos que ficaria magnífico", contou.

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