2 de Fevereiro de 2008 / às 13:04 / em 10 anos

De jejum há 24 anos, Portela rejuvenesce e promete "metamorfose"

Por Fernanda Ezabella

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Portela tem um grito entalado na garganta. Maior vencedora do Carnaval carioca, está há 24 anos sem conquistar um título. Agora, liderada por um time jovem, a escola promete o seu maior desfile, literalmente, com carros gigantescos e até uma “metamorfose” em plena avenida.

À frente da “ala jovem” está o próprio carnavalesco da escola, Cahe Rodrigues, 30 anos, o mais novo entre as agremiações do Grupo Especial, segundo sua própria definição.

Rodrigues, em seu segundo Carnaval na Portela, é só elogios aos jovens profissionais que ajudam a dar cara nova a uma das mais tradicionais escolas da festa carioca.

Na faixa dos 20 e 30 anos de idade estão Alex Fab e Marcelo Jacob, que coordenam a harmonia da agremiação, o mestre da bateria, Nilo Sergio, e o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Diego Falcão e Alessandra Reis.

“A escola está totalmente rejuvenescida”, disse Cahe. “Mas, ao mesmo tempo, está amparada pelos grandes baluartes que fazem parte da Portela”, continua, citando sambistas da Velha Guarda, como Monarco e celebridades como Paulinho da Viola, que depois de algum suspense confirmou que desfila este ano.

A agremiação do bairro de Oswaldo Cruz terá como tema este ano a preservação do meio ambiente. Haverá carros alegóricos até 40 por cento maiores que o ano passado, efeitos especiais de vários tipos, como um carro com 6 mil litros de água.

Sobre a “metamorfose,” Cahe explica que será o diferencial da escola na avenida. Sem querer estragar a surpresa, diz apenas que será um carro alegórico para retratar a recuperação da natureza.

“O carro representa a natureza morta, como ela deve ficar se o homem não cuidar ... Mas, motivado pelo amor, o homem pode mudar esse quadro, e é aí que acontece a transformação do carro”, explicou, evitando dar mais detalhes.

GANHA QUEM ERRA MENOS

A última vez que a escola foi campeã absoluta foi em 1970, com “Lendas e Mistérios da Amazônia”. Em 1984, dividiu o título com a Mangueira.

Manter o frágil equilíbrio entre tradição e modernidade é um dos desafios mais polêmicos da escola na hora de explicar o jejum de títulos de duas décadas.

Há quem diga que a Portela deveria voltar a suas raízes, como acredita o pesquisador Sergio Cabral, pai do governador do Rio de Janeiro, ex-comentarista de desfiles.

“Para voltar a ganhar, tem que voltar a sua tradição”, disse Cabral, sem aprofundar muito, já que afirma ter deixado de acompanhar as escolas.

Mas, mesmo para quem é da mais pura tradição, sabe da importância de estar em dia com seu tempo. Para Monarco, 74 anos de idade e 60 de Portela, a modernização é inevitável.

“Tem que modernizar também, não pode ficar só naquela da tradição. A evolução do tempo nos obriga a direcionar a escola para algum caminho”, disse Monarca.

Outra diferença dos novos tempos, para Monarco, é que hoje todas as escolas são grandes. “Não existe escola pequena mais. Naquela época (auge da escola) era Portela, Mangueira, Salgueiro e Império Serrano. Esse tempo acabou”, disse.

Para o presidente da agremiação, Nilo Figueiredo, responsável por essa nova fase “jovem” desde que tomou posse em 2005, quebrar o jejum de 24 anos tem mais a ver com sorte.

“Hoje não ganha Carnaval o melhor. Ganha Carnaval quem no momento do desfile errar menos. Todo mundo começa com 10 e começa a perder ponto”, disse.

“A gente tem que ter sorte e ter a nota dos jurados que a gente precisa. Fora isso, nós já fizemos o que podíamos.”

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