Crise nos mercados não afetará venda de arte, dizem leiloeiros

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008 12:32 BRST
 

Por Mike Collett-White

LONDRES (Reuters) - As maiores casas de leilões acreditam que a crise nos mercados financeiros não vai prejudicar os grandes leilões europeus marcados para fevereiro, apesar dos indícios de que os compradores podem estar perdendo confiança no setor de arte, que vinha passando por um boom.

A Christie's e a Sotheby's terão em fevereiro grandes leilões de arte impressionista/modernista e pós-guerra/contemporânea, que darão pistas quanto às chances de a demanda ser prejudicada por um forte movimento de vendas no mercado acionário, pelo dólar enfraquecido e pelos receios de uma recessão nos EUA.

Até agora, a alta espetacular no valor de pinturas verificada nos últimos anos, especialmente nas obras de arte do pós-guerra e contemporânea, vinha contradizendo os pessimistas que há tempos previam que a bolha iria estourar.

"É ingenuidade dizer que a volatilidade nos mercados acionários é má notícia para o mercado de artes", disse Simon Shaw, diretor sênior da Sotheby's para arte impressionista e moderna, lembrando que quedas anteriores nas bolsas nem sempre resultaram em reduções nos preços de obras de arte.

"Historicamente, os momentos em que os mercados acionários enfrentam problemas são positivos para o mercado de arte", disse Shaw à Reuters durante uma mostra prévia das obras que irão a leilão em Londres em fevereiro, incluindo uma tela de Francis Bacon estimada em mais de 18 milhões de libras (36 milhões de dólares).

Outros concordam com ele. O colecionador e investidor em arte Jeffrey Gundlach observou recentemente que os preços recordes pagos por obras de Mark Rothko e Andy Warhol não se devem "a algum sujeito em Wall Street que por acaso recebeu um bônus polpudo".

Mas Shaw reconheceu que as perspectivas econômicas cada vez mais incertas vão afetar os compradores.

"Em alguns casos, pessoas cujo fluxo de renda é enfraquecido pelas ações, ou cujo estado de espírito é afetado, terão menos tendência a ser ativos", disse ele.

Jussi Pylkkannen, presidente da Christie's Europa, também acha que alguns colecionadores vão faltar aos leilões, mas ponderou que a resistência do mercado petrolífero é um fator importante por trás das aquisições cada vez mais influentes por compradores russos e do Oriente Médio.

"O mercado de arte viveu um crescimento fenomenal nos últimos dois anos. Durante esse período surgiram colecionadores da Ásia, do Oriente Médio e da Rússia", disse ele à Reuters.