Filarmônica de NY faz concerto histórico na Coréia do Norte

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008 09:59 BRT
 

Por Jon Herskovitz

PYONGYANG (Reuters) - A mais antiga orquestra dos Estados Unidos fez na terça-feira um inédito concerto na Coréia do Norte, despertando em ambos os países a perspectiva de mais harmonia em suas relações. No programa havia obras de Richard Wagner, Antonin Dvorak e George Gershwin.

O regime comunista norte-coreano vem buscando uma maior aproximação com o restante do mundo, depois de sua promessa de abrir mão de armas nucleares.

"Sentimos que esta oportunidade vai aprofundar uma maior compreensão e confiança entre os dois países", disse a guia Pak Su-mi aos visitantes estrangeiros na Grande Casa de Estudos do Povo, um dos raríssimos lugares onde os norte-coreanos podem consultar a Internet, apesar das fortes restrições de acesso e dos computadores antiquados.

Pak falava inglês, mas usava trajes típicos e -- como a maioria dos norte-coreanos adultos -- um distintivo com o retrato do falecido líder Kim Il-sung.

Zarin Mehta, diretor-executivo da Filarmônica de Nova York, ecoou os comentários dela, dizendo que autoridades de ambos os países esperam que a visita -- é o maior grupo norte-americano no país desde a Guerra da Coréia (1950-53) -- ajude a normalizar as relações entre os velhos inimigos.

"Recebemos a mesma mensagem do lado da Coréia do Norte, de que eles desejam estabelecer boas relações", disse Mehta a jornalistas na primeira entrevista coletiva já transmitida ao vivo para fora do misterioso país.

Mehta disse que seis músicos norte-coreanos foram convidados para acompanhar a orquestra em uma das peças do programa, que foi exibido ao vivo no único canal da TV local.

Durante a visita, a Coréia do Norte abriu suas portas, normalmente herméticas, a diversos jornalistas estrangeiros, dando-lhes acesso à Internet e a telefonemas internacionais quase sem restrições -- algo inédito num país que costuma prender pessoas que mantenham contatos não-autorizados com o restante do mundo.   Continuação...

 
<p>O maestro Lorin Maazel (dir) rege a Filarm&ocirc;nica de New York durante concerto na Cor&eacute;ia do Norte. A mais antiga orquestra dos Estados Unidos fez na ter&ccedil;a-feira um in&eacute;dito concerto na Cor&eacute;ia do Norte, despertando em ambos os pa&iacute;ses a perspectiva de mais harmonia em suas rela&ccedil;&otilde;es. Photo by David Gray</p>