Ainda no auge e com voz abalada, Bob Dylan toca no Brasil

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008 17:52 BRT
 

Por Angus MacSwan

SÃO PAULO (Reuters) - Em "Modern Times", álbum vencedor do Grammy em 2006, Bob Dylan cantava: "Vocês acham que eu já vivi meu auge. Vocês acham que já passei do meu melhor. Vamos ver o que vocês conseguem. Podemos nos divertir para valer".

Nesta semana, os brasileiros poderão ver essa lenda viva do rock pela primeira vez em dez anos, período em que ele provou que já passou por tudo, mas continua no auge.

Seus três últimos discos -- "Time Out of Mind", "Love and Theft" e "Modern Times" -- foram aclamados como sendo sua principal trilogia desde os três discos que revolucionaram o rock na década de 1960.

Sua autobiografia "Chronicles", lançada em 2004, foi um best-seller. Ele foi tema de um documentário de Martin Scorsese, "No Direction Home", e de um filme de ficção "Não Estou Lá", em que seis atores o interpretam -- inclusive Cate Blanchett, indicada ao Oscar.

Ele próprio ganhou um Oscar, além de uma penca de Grammys.

Por isso, os shows de quarta e quinta-feira em São Paulo e sábado no Rio de Janeiro prometem ser qualquer coisa, menos um exercício de nostalgia. Eles formam parte de uma turnê latino-americana que também inclui México, Chile, Argentina e Uruguai.

As turbulências políticas e a repressão militar que marcaram várias décadas na América Latina explicam em parte por que as canções de Dylan sempre ressoaram tão fortemente por aqui. De fato, artistas como Caetano Veloso, o cubano Silvio Rodríguez e o falecido chileno Victor Jara foram várias vezes comparados a Dylan.

A atual turnê também pode ser considerada parte daquela que foi apelidada de "turnê infinita", que começou em 1988 e leva Dylan a fazer cem shows por ano, seja em obscuras feiras rurais dos EUA ou em balneários espanhóis.   Continuação...