28 de Abril de 2008 / às 21:52 / 9 anos atrás

Festival Tribeca exibe filme sobre a famosa foto de Che Guevara

Por Michelle Nichols

NOVA YORK (Reuters) - Dizem que é a foto mais reproduzida no mundo. Mas exatamente quem foi Ernesto “Che” Guevara e que significado tem sua foto feita num funeral de vítimas de uma explosão no porto de Havana, em Cuba?

“Ele não é o sujeito que inventou os ‘mojitos’?” diz um americano que usa uma camiseta com a imagem de Che em “Chevolution”, filme sobre a foto do revolucionário feita pelo cubano Alberto Korda.

O filme estreou no Festival de Cinema Tribeca, de Nova York.

A imagem clicada por Korda do guerrilheiro argentino ajudou a torná-lo símbolo mundial da rebelião. Ele aparece de cabelos longos, usando boina com uma estrela.

A imagem foi reproduzida em todo o mundo em camisetas, canecas, bonés de beisebol, garrafas de vodca, maços de cigarros, relógios, biquínis e outros produtos da sociedade capitalista de consumo contra a qual Che lutou.

“Ernesto era um pouco sarcástico”, diz Carlos “Calica” Ferrer, amigo argentino de Che Guevara, no documentário de 90 minutos. “Ele certamente riria muito disso tudo.”

A curadora britânica Trisha Ziff, co-diretora de “Chevolution” ao lado do mexicano Luis Lopez, disse que o filme surgiu de uma exposição que ela montou baseada em representações da foto de Guevara, morto na Bolívia em 1967, aos 39 anos, por soldados do Exército boliviano.

Ziff disse à Reuters que fica espantada “com a ignorância do público jovem americano, que pode usar a imagem de Che em suas camisetas e não saber nada sobre a ideologia, sobre as idéias desse homem”.

“Tudo vem das idéias, da esperança, de nosso desejo de que a humanidade tenha heróis”, disse Ziff. “Che virou folclore. Ele é Robin Hood, de certa maneira. É uma coisa tão fundamental assim.”

Che Guevara, que ajudou Fidel Castro a chegar ao poder na revolução cubana de 1959, ainda é herói nacional em Cuba, lembrado por ter promovido o trabalho voluntário gratuito, trabalhando sem camisa em obras de construção ou carregando sacos de açúcar.

Ele ainda aparece nas cédulas de dinheiro cubanas, cortando cana de açúcar nos campos.

Che deixou Cuba em 1966 para lançar outra rebelião anti-EUA na selva oriental da Bolívia, na esperança de criar “dois, três, ou muitos Vietnãs” na América Latina.

“Chevolution” explica a história por trás da foto de 1960, que só foi publicada uma vez num jornal cubano no ano em que foi feita, antes de emergir na Europa, sete anos mais tarde, como símbolo de protesto e revolta.

Sua popularidade cresceu depois de 1968, quando o artista irlandês Jim Fitzpatrick criou um cartaz livre de direitos autorais, usando a imagem.

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