Martin Sheen diz que precisou ser duro com filho viciado

quarta-feira, 28 de maio de 2008 09:44 BRT
 

LOS ANGELES (Reuters) - O ator Martin Sheen disse que, como pai de um dependente de drogas, a única maneira de ajudar seu filho foi correr o risco de ser odiado por ele e até mesmo denunciá-lo às autoridades.

O ex-astro de "The West Wing" contou que depois de descobrir que um de seus quatro filhos, o ator Charlie Sheen, era dependente de drogas, fez todo o possível para ajudá-lo, ao ponto de tornar-se "fanático".

"Quando uma vida está em jogo e essa vida é de seu filho, você se torna destemido de várias maneiras", disse Sheen, de 67 anos, na edição mais recente da AARP The Magazine, uma revista voltada ao público americano aposentado.

"Você está diante de uma situação de vida ou morte. E a parte crítica da equação é: você está disposto a arriscar incorrer no ódio de seu filho? Ele não vai gostar de você. Nem pense em ele lhe amar. Ele vai lhe xingar dos piores nomes possíveis."

Martin Sheen disse que era muito difícil conseguir que seu filho o ouvisse, mas que sua chance chegou quando Charlie Sheen foi hospitalizado por overdose de drogas, em maio de 1998, e então fugiu do hospital.

Sheen disse que foi ele quem pagou a conta do hospital, por isso ficou sabendo porque seu filho tinha sido internado: por consumir substância ilegal enquanto estava em liberdade sob fiança, proibido de usar tais substâncias.

"Era um assunto criminal. Então era essa a abordagem que eu tinha. Foi por isso que eu o levei ao tribunal; foi por isso que o denunciei ao delegado. Foi a única maneira em que eu podia segurá-lo", disse Sheen.

Sheen denunciou a overdose ao juiz, e seu filho foi colocado num programa de reabilitação de dependentes.

Desde então, Charlie Sheen, de 42 anos, tornou-se um dos atores mais bem pagos da televisão, como astro da sitcom "Two and a Half Men", e agradeceu a seu pai por tê-lo salvo.

"A estrada que leva à dependência e que conduz a pessoa para fora dela é uma jornada profundamente pessoal. Não existem duas que sejam iguais", disse Martin Sheen, acrescentando que superou sua dependência do álcool com a ajuda de sua fé católica.