Cinemas de Tóquio desistem de filme sobre santuário de Yasukuni

segunda-feira, 31 de março de 2008 11:08 BRT
 

TÓQUIO (Reuters) - Três cinemas da capital japonesa desistiram de exibir um documentário premiado sobre o santuário de Yasukuni, em Tóquio, onde são homenageados criminosos de guerra condenados, disseram responsáveis pelos cinemas na segunda-feira.

A decisão deixa Tóquio sem nenhum cinema que tenha planos de exibir o filme, que recebeu o prêmio de melhor documentário no festival internacional de cinema de Hong Kong na semana passada.

"Yasukuni", do diretor chinês Li Yong, mostra visitantes e fatos ocorridos no santuário, visto por muitos na Ásia como símbolo do militarismo japonês. O santuário xintoísta homenageia os 2,5 milhões de mortos japoneses na guerra, incluindo criminosos de guerra.

O diretor Li, que contou ter recebido telefonemas ameaçadores aconselhando-o a não lançar o filme no Japão, disse que procurou oferecer uma visão neutra em seu filme.

Os responsáveis pelos cinemas em Tóquio disseram que não sofreram pressões de grupos ou indivíduos específicos.

O responsável pelo Ginza Cinepatos, situado numa rua comercial do centro de Tóquio, disse: "Tomanos a decisão porque a exibição do filme poderia causar problemas ou perturbar estabelecimentos comerciais das redondezas".

De acordo com a agência de notícias Kyodo, outro cinema em Osaka também desistiu de exibir o filme.

Li disse prever que as pressões -- em muitos casos vindas de políticos de direita e ultranacionalistas -- aumentem antes do lançamento previsto do filme no Japão, no próximo mês.

Um grupo de 40 deputados do governista Partido Liberal Democrático solicitou uma sessão prévia do filme para avaliá-lo, temendo que possa incluir "conteúdos distorcidos". "Yasukuni" foi financiado em parte por uma unidade ligada à Agência de Assuntos Culturais do Japão.

Li, que reside no Japão há 19 anos, disse que seu filme foi inspirado pela necessidade de compreender a luta do Japão para encarar seu passado militarista.

Os laços entre China e Japão vêm melhorando no último ano e meio, após um período de frieza durante o mandato do ex-primeiro ministro Junichiro Koizumi (2001-2006), que fez diversas visitas ao santuário de Yasukuni.