Grupo quer ajudar estilistas a encontrar tecidos "verdes"

segunda-feira, 1 de outubro de 2007 14:07 BRT
 

MILÃO (Reuters) - Um novo fórum que quer unir moda a materiais sustentáveis foi lançado paralelamente aos desfiles das coleções femininas em Milão, na semana passada, visando casar materiais feitos de madeira, plantas e até mesmo leite com designs inovadores.

A organização C.L.A.S.S. -- sigla em inglês de Criatividade, Estilo de Vida e Sinergia Sustentável -- é fruto de uma idéia de Giusy Bettoni e Sandy McLennan, que tinham trabalhado no setor têxtil e perceberam que os estilistas não conseguiam encontrar tecidos ecológicos com facilidade.

"Você falava em sustentabilidade e as pessoas se entusiasmavam, mas nada estava acontecendo concretamente", disse Bettoni.

As duas perceberam que, por outro lado, os produtores de tecidos sustentáveis -- ou seja, biodegradáveis ou feitos de recursos renováveis -- tinham problemas para saber como e onde entrar em contato com estilistas que pudessem querer usar seus materiais.

A C.L.A.S.S. está pondo empresas como a indiana Birla Cellulose, uma das maiores produtoras mundiais de celulose, e a NatureWorks, que produz a fibra Ingeo a partir de açúcares vegetais, em contato com estilistas, para mostrar a eles que o sustentável não precisa ser sem graça.

O Milkofil é uma fibra fina feita de caseína, a principal proteína do leite. Ela rende um fio que é fácil de usar junto à pele.

"Ninguém compra uma roupa apenas por ela ser sustentável", observou Betoni. "Havia roupas que eram ótimas do ponto de vista da sustentabilidade, mas que ninguém queria comprar porque eram verdes, marrons ou beges."

Ela explicou que a C.L.A.S.S. quer mudar o método de divulgação dos tecidos ecológicos, ressaltando outras atrações além da sustentabilidade: o apelo visual e aspectos práticos, já que as roupas são duráveis e laváveis.

"Queríamos uma roupa que funcionasse bem, uma roupa agradável. E, se ela for sustentável também, então será perfeita."

Bettoni admite que esses materiais não podem oferecer a mesma gama de cores e texturas quanto a que se pode obter com o uso de processos com tintas químicas, mas disse que, quando os estilistas fazem solicitações, a C.L.A.S.S. poderá dar feedback aos produtores para ajudá-los a inovar.