17 de Dezembro de 2007 / às 11:31 / 10 anos atrás

Fatih Akin concorre ao Oscar com um filme alemão e outro turco

<p>O cineasta alem&atilde;o Fatih Akin durante cerim&ocirc;nia do European Film Awards, em Berlim, no in&iacute;cio do m&ecirc;s. Fatih Akin concorre duas vezes na disputa pelo Oscar de melhor filme em l&iacute;ngua estrangeira, cujos candidatos ser&atilde;o anunciados em 22 de janeiro. Photo by Pool</p>

Por Gregg Kilday

LOS ANGELES (Hollywood Reporter) - Fatih Akin concorre duas vezes na disputa pelo Oscar de melhor filme em língua estrangeira, cujos candidatos serão anunciados em 22 de janeiro.

Ele é diretor do candidato alemão deste ano, “Do Outro Lado”, e é também um dos produtores do candidato oficial da Turquia, “Takva”.

Essa participação dupla não surpreende, porque Akin nasceu em Hamburgo, filho de pais turcos, e seus filmes refletem essa mistura de origens.

“Do Outro Lado” gira em torno de três duplas familiares -- um pai e filho turcos, uma mãe e filha alemãs e uma mãe e filha turcas -- cujas vidas interagem enquanto a história se desloca entre um país e outro.

Em termos estruturais, é um filme complexo, com tramas que se sobrepõem, chegando em alguns momentos a retroceder no tempo. Há também o anúncio da morte de personagens centrais, antes mesmo de o público ter sido plenamente apresentado a eles.

Mas, embora o tema permita ao diretor continuar a tratar do choque entre duas culturas, os elementos desta nova trama não surgiram facilmente em sua cabeça. Na verdade, ele admite que, após o sucesso internacional de “Contra a Parede”, de 2004, sofreu um bloqueio criativo.

“A coisa toda foi como um quebra-cabeças”, diz Akin, falando de “Do Outro Lado”.

“Eu tinha acumulado muitos tijolos, mas não sabia o que fazer com eles. Acho que o primeiro tijolo foi ter conhecido (a atriz alemã ícone) Hanna Schygulla num festival de cinema, quando estava divulgando ‘Contra a Parede’. Ela expressou o desejo de trabalhar comigo, e eu sabia que queria trabalhar com ela.”

Em “Do Outro Lado”, Schygulla faz a mãe alemã, que não consegue entender porque sua filha fez amizade com uma jovem turca.

Falando sobre o roteiro, Akin disse: “Sou fã de Guillermo Arriaga, que fez os roteiros de ‘21 Gramas’ e ‘Amores Brutos’. Eu queria experimentar algo diferente de meu outro trabalho. Não é possível relatar esta história de maneira cronológica. O filme tem uma estrutura mais semelhante à de um livro.”

Seus esforços não passaram despercebidos. “Do Outro Lado” recebeu um prêmio por seu roteiro no Festival de Cannes este ano e nos European Film Awards este mês.

Enquanto isso, através de sua produtora Corazon International, de Hamburgo, Akin também trabalha ativamente como produtor, tendo ajudado a encontrar o financiamento para “Takva”, de Ozer Kiziltan.

O filme turco fala sobre um muçulmano devoto que vai trabalhar como coletor de impostos mas vê sua fé questionada quando se aventura no mundo moderno. O filme foi escrito por Onder Cakar, amigo de Akin.

Enquanto “Takva” focaliza o conflito no interior do mundo muçulmano, “Do Outro Lado” analisa os conflitos entre os muçulmanos e o Ocidente.

Diz Akin: “Isso é bom para o cinema. Sempre que existe um conflito, é preciso colocar isso na câmera. Conflitos geram bons dramas.”

“Do Outro Lado” sugere que o choque de civilizações pode resultar numa compreensão mútua, mas Akin diz: “Não procuro criar uma cultura tolerante. Não sou missionário nessas coisas. Mas acredito que enfrentar a morte de um ser humano é igual, não importa a cor ou a nacionalidade.”

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