Em protesto por Darfur, Spielberg deixa consultoria olímpica

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008 21:04 BRST
 

LOS ANGELES (Reuters) - O cineasta Steven Spielberg anunciou na terça-feira sua decisão de não ser mais o consultor artístico dos Jogos Olímpicos deste ano em Pequim, por causa da política do regime chinês em relação ao Sudão e ao conflito de Darfur.

"Concluo que minha consciência não me permitirá manter tudo normalmente", disse Spielberg em nota. "A esta altura, meu tempo e energia devem ser gastos não em cerimônias olímpicas, mas em fazer tudo o que eu puder para acabar com os inenarráveis crimes contra a humanidade que continuam sendo cometidos em Darfur", acrescentou.

Spielberg é um dos principais diretores de Hollywood, autor de sucessos como "Tubarão", "ET" e "A Lista de Schindler", um drama sobre o Holocausto que lhe rendeu o Oscar de melhor diretor.

Ele foi um dos criadores do Instituto Fundação USC Shoah para a História Visual e Educação, em Los Angeles, que se dedica a manter viva a memória do Holocausto.

Em abril, Spielberg escreveu uma carta ao presidente da China, Hu Jintao, somando-se ao coro de pessoas contrárias à simpatia que a China demonstra para com o governo do Sudão, acusado de patrocinar milícias árabes responsáveis por atrocidades na região de Darfur. Ao mesmo tempo, Spielberg pediu um encontro com Hu, mas o presidente não respondeu.

Em sua nota na terça-feira, Spielberg afirmou que o governo sudanês é o maior responsável por "esses crimes continuados" em Darfur, e que a China "deveria fazer mais para acabar com a continuação do sofrimento humano por lá."

A China é um dos principais compradores do petróleo do Sudão, além de manter vários outros laços econômicos com o país africano.

Especialistas estimam que 200 mil pessoas tenham morrido e que 2,5 milhões tenham tido de deixar suas casas em Darfur. O conflito começou em 2003, opondo principalmente rebeldes não-árabes contra as forças do governo e as milícias árabes. O governo sudanês diz que 9.000 pessoas morreram.

Washington qualifica a situação como genocídio, algo que as autoridades sudanesas rejeitam, acusando o Ocidente de exagerar o conflito.