Fabricantes de panetone querem restringir o uso do nome à Itália

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007 12:54 BRST
 

ROMA (Reuters) - A Itália já tem normas rígidas que regem a origem e qualidade de vinhos. O queijo do tipo parmesão só pode ostentar o nome Parmigiano se for produzido em Parma, e as regras relativas ao azeite de oliva "italiano" também estão sendo endurecidas.

Agora o tradicional bolo natalino italiano se tornou o produto mais recente que o governo e os produtores italianos querem proteger contra imitações estrangeiras.

A cada ano, na época do Natal, os padeiros italianos produzem cerca de 117 milhões de panetones e bolos pandoro, no valor de 579 milhões de euros (849 milhões de dólares). Pela lei, eles precisam ser produzidos segundo regras rígidas, usando apenas manteiga e levedo de cerveja.

Mas as mesmas regras não se aplicam fora da Itália, o que significa que os panetones italianos exportados podem não ter a mesma qualidade que os italianos e que as versões produzidas no exterior podem guardar apenas uma vaga semelhança com os bolos altos, fofos e dourados tão apreciados pelos italianos.

"Sete em cada dez panettones e 'pandori' exportados aos Estados Unidos não respeitam as normas de produção. Sete em cada dez norte-americanos que compram um panetone 'em estilo italiano' adquirem uma imitação barata", disse em coletiva de imprensa o presidente da Indústria Italiana de Bolos, Alberto Bauli.

O ministro da Agricultura, Paolo de Castro, disse que o governo estuda maneiras de proteger os legítimos bolos italianos da crescente concorrência latino-americana. As autoridades estudam a possibilidade de levar o caso à Organização Mundial do Comércio.

"Não podemos permitir que os imitadores usem um nome que os vincule a um território que não é deles. De certo modo, estão zombando dos consumidores", afirmou o ministro.

No início do ano De Castro disse que pressionaria a União Européia a fazer com que todo o azeite de oliva vendido na Itália carregue um rótulo identificando a origem das olivas. A iniciativa apoiaria os agricultores italianos, que reclamam que a maior parte do azeite de oliva supostamente italiano é feito com olivas cultivadas em outros países. Se a proposta for aceita, a Itália pode tentar fazer o mesmo com frutas e legumes processados, como a "passata" (polpa de tomate) e alguns produtos como frango e peru, para explorar a qualidade associada ao rótulo "made in Italy", disse o ministro.