Cavalera desfila no rio Tietê com chuva, lixo e mau cheiro

domingo, 20 de janeiro de 2008 13:54 BRST
 

Por Fernanda Ezabella

SÃO PAULO (Reuters) - Não vá de salto, alertava o convite para o desfile de outono-inverno da Cavalera, neste domingo na margem do rio Tietê, em meio a chuva, muito lixo, mau cheiro e clima de protesto.

A marca, com Marcelo Sommer na coordenação criativa, fez um desfile-manifesto para chamar atenção sobre os problemas ambientais da cidade. A inspiração veio de um movimento chamado "Remember Chernobyl", de um amigo do estilista engajado na luta contra as usinas nucleares.

A imprensa que cobre o São Paulo Fashion Week, cuja maioria dos desfiles acontece no pavilhão da Bienal, trocou os sapatos ousados por tênis e botas de galocha, embora algumas mulheres estivessem de sandálias e até mesmo de salto.

Os jornalistas e convidados também substituíram as roupas da última moda por capas de chuva amarelas e máscaras azuis para tampar nariz e boca, distribuídas pela própria grife.

"Achei fantástico a Cavalera ter coragem de realmente despertar uma consciência ambiental na gente", disse a editora de moda e apresentadora Lilian Pacce, usando a máscara e botas pretas de galocha.

O desfile aconteceu em uma margem do rio na altura do trecho conhecido como Cebolão, debaixo de uma das várias pontes, que protegeu os modelos da chuva ininterrupta.

A imprensa assistiu de um barco de três andares, que não saiu do lugar, atracado na margem.

Sem trilha sonora, o desfile começou com uma sirene. Os modelos desceram por duas escadas de madeira, vindo da margem mais alta para uma à beira do rio, pertinho do barco. Depois, ficaram circulando por ali, meio como zumbis, arrastando casacos e vestidos pelas poças de água.   Continuação...