Após 14 semanas, termina greve dos roteiristas de Hollywood

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008 08:46 BRST
 

Por Steve Gorman

LOS ANGELES (Reuters) - Os roteiristas de cinema e TV dos Estados Unidos decidiram em assembléia na noite de terça-feira suspender a greve iniciada há 100 dias, encerrando assim o pior conflito trabalhista dos últimos 20 anos em Hollywood.

O resultado, embora já esperado, foi recebido com alívio pelo setor do entretenimento, especialmente nos estúdios de TV, onde milhares de funcionários da produção estavam parados devido à falta de "matéria-prima".

Os membros do sindicato dos roteiristas (WGA, na sigla em inglês) ainda vão submeter a votação um contrato coletivo com duração de três anos, que prevê novos pagamentos pelo trabalho transmitido pela Internet e dobra a participação no faturamento por filmes e programas baixados na rede. Além disso, amplia o contrato coletivo para cobrir também conteúdo feito exclusivamente para a Web.

O fim da greve foi aprovado por 92,5 por cento dos roteiristas que participaram das assembléias em Los Angeles e Nova York. No domingo, os sindicalistas haviam manifestado apoio ao acordo com os estúdios.

Após a votação, os dirigentes imediatamente mandaram um email a cerca de 10,5 mil roteiristas instruindo-os a voltar ao trabalho na quarta-feira. A greve havia começado em 5 de novembro.

"A greve acabou", anunciou em entrevista coletiva o presidente da WGA-Oeste, Patric Verrone, no auditório do sindicato em Beverly Hills. "Nossos membros votaram, e os roteiristas podem voltar a trabalhar."

Ao todo, 3.775 roteiristas sindicalizados participaram da votação de terça-feira, quórum inferior aos 5.500 que aprovaram a convocação da greve, em outubro.

O pagamento pelos novos meios de difusão era a principal reivindicação dos profissionais aos oito grandes produtores de cinema e TV. Mas ainda há outros conflitos à vista em Hollywood. O sindicato dos atores, que representa cerca de 120 mil atores de cinema e TV, renova seu contrato coletivo em junho e já anunciou que adotará uma postura agressiva à mesa de negociações.

Por causa da greve, os roteiristas terão apenas 11 dias para produzir o espetáculo do Oscar, marcado para 24 de fevereiro -- uma tarefa que normalmente leva várias semanas.

(Com reportagem de Dean Goodman)