October 23, 2007 / 1:58 AM / 10 years ago

ENTREVISTA-Clint Eastwood volta a filmar mundo da música

3 Min, DE LEITURA

Por Adam Tanner

CARMEL, Califórnia (Reuters) - Clint Eastwood é mais que conhecido por representar personagens durões e intransigentes e por ter desenvolvido a direção como segunda carreira. Mas ele tem outra paixão que costuma receber menos atenção: o jazz.

O astro de 77 anos dirigiu uma cinebiografia de Charlie "Bird" Parker em 1988 e agora está produzindo um documentário sobre o pianista Dave Brubeck.

Ele próprio pianista que recebeu um doutorado honorário em música do Berklee College of Music, Eastwood conversou com a Reuters sobre seu interesse pelo jazz, que data de sua juventude na região de San Francisco nos anos 1940.

P: Quando começou sua paixão pelo jazz?

R: Amo a música e já a amava quando era garoto. Eu sempre estive fora do "mainstream", embora o jazz fosse mais "mainstream" nos anos 1940. Naquela época o jazz tinha uma popularidade tremenda, mas eu estava sempre à procura de algum músico pouco conhecido para seguir. Acho que primeiro foi Lester Young quem eu achava o máximo, depois Charlie Parker, depois Dave Brubeck.

P: Você já trabalhou em vários documentários que destacam figuras lendárias do jazz. O que o atrai para esses trabalhos?

R: Estou interessado em promover essa grande forma de arte americana, uma forma de arte verdadeiramente americana. Gosto de todos os tipos de música. Gosto da música clássica, do country, de qualquer tipo de música. Talvez eu não seja louco por rap, mas de modo geral posso tolerar qualquer tipo de música.

P: Alguma vez você quis ser músico?

R: Quando eu era garoto eu tocava muito, mas depois me afastei disso e virei ator. Acho que fui para onde eu deveria ir. Sempre é possível olhar para trás e dizer 'poderia ter estudado mais'. Eu poderia dizer isso sobre o trompete, que também toquei um pouco.

P: Li uma entrevista sua de 1985 em que você disse que lamentava não ter ido a fundo na música.

R: É verdade. Você ouve (os pianistas) Bill Evans e Art Tatum, todo esse pessoal, e se pergunta se poderia ter feito isso.

P: Você tocou num bar em Oakland no final dos anos 1940?

R: Sim, toquei no Omar Club on Broadway. Toda vez que ia lá e tocava, eu podia comer e tomar cerveja de graça e recebia gorjetas.

P: Existe um denominador comum para o sucesso no cinema e no jazz?

R: Os músicos precisam todas as noites se apresentar diante do público. Imagino que em algumas noites você não tenha vontade. Quando você dirige filmes, alguns dias você sente 'não estou com vontade de fazer isso hoje', mas tem que ir e se preparar para isso. É o mesmo tipo de coisa que acontece com qualquer artista que se apresenta.

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