ESTREIA-Kevin Costner faz homenagem ao futebol americano em “A Grande Escolha”

quarta-feira, 21 de maio de 2014 16:34 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Não é regra, mas filmes sobre paixões nacionais tendem a ter pouco apelo com o público internacional, cujos temas desconhece ou simplesmente não se importa, apesar da sua importância local. Esse é o caso e a surpresa de “A Grande Escolha”, em que a história se baseia no dia de recrutamento de jogadores para a Liga Nacional de Futebol Americano (NFL, na sigla em inglês).

Uma das mais importantes datas para os fãs do esporte nos EUA, realizada em abril, o Draft Day é a chance de centenas de atletas à disposição (sem contrato renovado ou recém saídos das universidades) serem escolhidos pelos times. Em evento televisionado, as equipes se revezam em rodadas para selecionar os profissionais (os melhores são os primeiros), em que as negociações serão determinantes para o sucesso em campo.

E é nos tensos bastidores desse dia que o diretor e produtor veterano Ivan Reitman (responsável por Caça-Fantasmas) baseia seu novo filme. Com muito cuidado, ele consegue usar a febre pelo esporte como pano de fundo de uma história bem construída, ligeira e, no fim, uma homenagem ao futebol americano e à paixão que o move.

A trama se concentra no personagem Sonny Weaver Jr. (Kevin Costner), o responsável pelas contratações dos Brows, tradicional time de Cleveland (Ohio), durante o dia de recrutamento. Cronometro na tela, ele tem poucas horas para decidir que jogadores irá anunciar no evento.

Pressionado por jogadores e seus agentes, Sonny descobre também que sua namorada secreta Ali (Jennifer Garner) está grávida. Como se não fossem questões suficientes para lidar em apenas uma tarde, o dono dos Brows, Anthony Molina (Frank Langella), lhe dá um ultimato: ou faz um grande anúncio, que reverta em vitórias e ingressos, ou estará desempregado na próxima temporada.

Uma oportunidade aparece quando o recrutador Tom Michaels (Patrick St. Esprit) dos Seahawks, de Seattle (Washington), oferece a ele o novato fenômeno Bo Callahan (Josh Pence). Porém, o negócio é arriscado. Como a seleção no Draft Day se dá por rodadas de seleção, Tom pede em troca as primeiras escolhas dos Brows nos próximos três anos, o que deixaria quase nenhuma possibilidade do time contratar um bom jogador futuramente.

O impasse de Sonny, envolvido com os conflitos familiares e profissionais, levam a narrativa de forma em que a tensão é eficaz. No entanto, falha a química entre Costner e Garner, que não passam à tela o drama da situação na qual estão envolvidos. Em especial a atriz, que parece não ter encontrado o tom de sua personagem.

O filme, desses para se ver à tarde com a família, ganha na participação especial de estrelas do futebol americano (de jogadores a apresentadores) como eles mesmos. Mas, no Brasil, podem passar apenas como figurantes de luxo de uma história bem contada.

(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)

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