ESTREIA-Novo X-Men é vigoroso, mas deixa perguntas no ar

quarta-feira, 21 de maio de 2014 18:51 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Como um dos blockbusters mais aguardados do ano, “X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido” chega aos cinemas com todas as qualidades que se esperavam dele. Além do numeroso e excelente elenco e concepção visual aliados a um competente trabalho de efeitos especiais, a adaptação corajosa dos quadrinhos e o humor permanente na produção são tão imperativos que fazem esquecer até mesmo os buracos encontrados no roteiro.

A história tem como ponto de partida as aventuras publicadas no início da década de 1980, em X-Men-Uncanny, lançadas no Brasil como Exterminadores do Futuro, Superaventuras Marvel. Mas trata-se apenas de uma inspiração, já que este novo filme é uma continuação direta de “X-Men: Primeira Classe” e, em uma mudança de decisão (até 2011 evitava-se oficialmente qualquer ligação), da trilogia iniciada 2000, que terminou com o desastroso “X-Men 3 - O Confronto Final” (2006).

A reunião dos elencos e tramas faz muito sentido aqui. Como a história se desenrola no futuro (entende-se 2023, apesar dos quadrinhos apontarem para 2013) e no passado (1973, dez anos antes do original), paralelamente, recuperar os antigos atores (e seus personagens) foi fundamental para identificar quem é quem na trama e, claro, ampliar o impacto no público.

Na trama, miscelânea entre HQs, roteiro assinado por Simon Kinberg (“Sherlock Holmes”) e história de Jane Goldman (“Kick-Ass”), o futuro é apocalíptico. As sentinelas robóticas projetadas pelo Dr. Bolivar Trask (Peter Dinklage, da série “Game of Thrones”) para enfrentar superpoderosos mutantes dominaram a Terra, exterminando seus alvos e, por fim, os próprios humanos (cuja genética poderia levar a novos mutantes).

Com o fim iminente, na última linha de defesa estão os já conhecidos Professor Charles Xavier (Patrick Stewart), Magneto (Ian McKellen), Wolverine (Hugh Jackman), Tempestade (Halle Berry), Lince Negra (Ellen Page), Homem de Gelo (Shawn Ashmore) e Colossus (Daniel Cudmore), ao lado de novos personagens, como Bishop (Omar Sy) e Blink (Bingbing Fan).

O plano deles é utilizar um dos poderes de Lince Negra, uma espécie de viagem no tempo mental, que irá enviar a consciência atual de Wolverine para o corpo do personagem na década de 1970. Nos quadrinhos, é a própria mutante que faz a viagem, mas entende-se o maior apelo do personagem de Hugh Jackman, que além de aparecer em todos os filmes da franquia, ainda ganhou dois spin-offs solo, e é considerado o maior sucesso deste universo.

Assim, enquanto os companheiros defendem o corpo inerte de Wolverine dos sentinelas no futuro, o herói acorda em seu corpo no passado. Sua missão é reunir Charles Xavier (James McAvoy) e Magneto (Michael Fassbender) para impedir Mística (Jennifer Lawrence) de assassinar o Dr. Trask (nos quadrinhos era um senador) e, depois de presa, seu DNA ser usado para tornar os sentinelas invencíveis.

O problema, como se viu no final de “X-Men: Primeira Classe”, é que Magneto e Xavier se tornaram opositores ferrenhos. O professor amarga suas desventuras recluso e amargurado em sua mansão e, para piorar, sem poderes, pois toma um soro criado por Fera (Nicholas Hoult), que os inibe, mas o faz caminhar.

Enquanto isso, Magneto está preso em uma cela desenvolvida pela CIA especialmente para ele, pois se envolveu na morte do presidente americano John Fitzgerald Kennedy, em 1963. Este é um dos muitos detalhes que dão humor ao filme.   Continuação...