Tarantino diz em Cannes que exibição digital de filmes matou o cinema

sexta-feira, 23 de maio de 2014 20:53 BRT
 

Por Alexandria Sage

CANNES, França (Reuters) - Exibir filmes no formato digital é como forçar as plateias a ver televisão em público, disse o diretor Quentin Tarantino no Festival de Cinema de Cannes nesta sexta-feira, acrescentando que os filmes em 35 milímetros com os quais cresceu estão “mortos”.

Tarantino não compete no evento deste ano, mas falou a jornalistas e críticos de cinema antes da exibição do seu grande sucesso "Pulp Fiction: Tempo de Violência" na praia à noite – e em 35 milímetros.

“O fato de que a maioria dos filmes não são exibidos em 35 milímetros significa que a guerra está perdida”, declarou o criador do cult “Cães de Aluguel”.

Os formatos e a distribuição digitais varreram o mundo do cinema, em grande parte por causa dos custos – a maioria dos filmes em Cannes hoje em dia é projetado assim.

Mas os aficionados ainda cantam as glórias dos velhos rolos de filme – da mesma maneira que fãs de música se apegam aos seus discos de vinil. Os fãs defendem com entusiasmo o calor e a sofisticação da textura em 35 milímetros e sua capacidade de registrar a mais escura das sombras e a mais brilhante das luzes.

“Projeções digitais são TV em público. E, aparentemente, o mundo inteiro aceita TV em público, mas o que eu conhecia como cinema está morto”, afirmou Tarantino.

“Tenho esperança de que estejamos passando por um período de atordoamento romântico com a facilidade do digital e que, embora esta geração esteja irremediavelmente perdida, a próxima irá exigir o cinema genuíno”, acrescentou.

O diretor, conhecido pela energia e violência dos seus filmes, disse que o cinema digital, de fato, tem algumas vantagens.   Continuação...

 
O cineasta Quentin Tarantino (centro) acena para fãs ao chegar à praia para a exibição do seu filme "Pulp Fiction", durante o Festival de Cannes, na França, nesta sexta-feira. 23/05/2014 REUTERS/Yves Herman