Artistas descontentes com reformas ameaçam impedir festivais de verão na França

terça-feira, 10 de junho de 2014 10:38 BRT
 

PARIS (Reuters) - Artistas, técnicos e outros trabalhadores informais no mundo das artes na França estão ameaçando intensificar os ataques para impedir a realização dos maiores festivais de verão do país, como parte de um protesto contra cortes ao sistema de seguro-desemprego.

A ameaça surgiu enquanto o governo do presidente François Hollande enfrenta outro período de instabilidade, com os sindicatos dos ferroviários iniciando nesta terça-feira uma greve de 24 horas para protestar contra a reorganização do sistema de trens. Os taxistas vão se juntar na quarta-feira em uma manifestação de um dia nas principais capitais europeias contra a concorrência de motoristas particulares.

Os festivais de verão da França atraem centenas de milhares de visitantes e incluem eventos renomados como o Festival de Teatro de Avignon e o Festival de Ópera de Aix-en-Provance - ambos cancelados em 2003 durante o início de uma greve.

Hollande quer reduzir o déficit de bilhões de euros no fundo de desemprego francês, o Unedic, como parte de ações mais amplas para recuperar as finanças públicas da França, com base em acordo com parceiros da União Europeia.

Os trabalhadores de festivais, no entanto, conhecidos como "intermitentes", têm recusado quaisquer mudanças nas regulamentações que eles argumentam ser vitais para dar suporte à cultura francesa, e dizem que as reformas definidas em março vão tornar impossível a sobrevivência de boa parte deles.

No início do mês eles promoveram protestos na cidade de Montpellier, que já havia causado o cancelamento de eventos no Festival "Primavera de Atores". Já a confederação sindical CGT está convocando uma greve nacional para 16 de junho.

"Montpellier em greve hoje, todos nós em greve amanhã", dizia uma faixa do lado de fora da Ópera da Bastilha, em Paris, neste fim de semana, onde manifestantes atrasaram o início da ópera "La Traviata", de Verdi.

O primeiro ministro Manuel Valls foi nomeado mediador para tentar desarmar a crise. As propostas do mediador serão submetidas aos ministérios do Trabalho e da Cultura em duas semanas.

Cerca de 100 mil trabalhadores informais de festivais da França têm um estatuto especial de direitos. Embora eles representem apenas 3,5 por cento dos candidatos a emprego, o seu seguro-desemprego é duas vezes maior do que a média e, por si só, cria um déficit que equivale a um quarto do déficit anual da Unedic, de 4 bilhões de euros.